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MP aponta excesso em decisão que suspendeu CRAR Clinicão e pede manutenção do contrato

No parecer, o MPPR reforça que decisões envolvendo serviços públicos devem considerar os limites dos pedidos apresentados, os impactos práticos das medidas adotadas e a necessidade de garantir o devido processo legal

MP aponta excesso em decisão que suspendeu CRAR Clinicão e pede manutenção do contrato
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Parecer encaminhado ao Tribunal de Justiça aponta que a suspensão do contrato teria ultrapassado os limites do pedido feito na ação e poderia comprometer a continuidade do serviço público de atendimento animal

O Ministério Público do Paraná (MPPR) se manifestou favoravelmente ao recurso apresentado pelo CRAR Clinicão no processo que discute a suspensão do Contrato nº 115/2025, firmado para a prestação de serviços de assistência veterinária em Ponta Grossa.

Em parecer encaminhado ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), a Procuradoria de Justiça Cível avaliou que a decisão de primeira instância, que determinou a suspensão do contrato, teria extrapolado os limites do pedido apresentado na ação civil pública movida pela Associação Protetora dos Animais de Ponta Grossa.

De acordo com a manifestação do Ministério Público, o pedido inicial tratava da adoção de medidas corretivas relacionadas aos serviços prestados, incluindo adequações, acompanhamento pós-operatório dos animais e capacitação de profissionais envolvidos. O parecer aponta que a decisão judicial acabou resultando na paralisação do contrato administrativo e da política pública de atendimento veterinário executada pelo Município.

Segundo o MPPR, antes de uma eventual interrupção do serviço, deveria ter sido considerada a possibilidade de implementação das medidas de correção solicitadas na própria ação. Para o órgão, a suspensão imediata gerou efeitos mais amplos do que aqueles originalmente discutidos no processo.

Posteriormente, o Tribunal de Justiça do Paraná revogou a medida e autorizou a retomada da execução contratual. Agora, com o parecer encaminhado à Corte, o Ministério Público também defende que a decisão inicial seja cassada.

A Procuradoria destacou ainda que a suspensão do contrato poderia gerar dificuldades administrativas para garantir a continuidade do atendimento aos animais em situação de risco. O parecer cita a necessidade de avaliar o caso considerando os princípios da proporcionalidade, da continuidade do serviço público e da preservação dos recursos já aplicados.

Com base nesses argumentos, o Ministério Público opinou pelo provimento do recurso apresentado pelo CRAR Clinicão.

CPI e manifestações da empresa

O parecer ocorre em meio às discussões envolvendo também a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pela Câmara Municipal de Ponta Grossa para apurar questões relacionadas ao contrato.

Representantes do CRAR Clinicão afirmam que a comissão divulgou um relatório parcial antes da realização de uma oitiva formal com a empresa. Segundo a contratada, foi encaminhado um ofício solicitando espaço para apresentar esclarecimentos, documentos e informações sobre os fatos investigados.

A defesa da empresa sustenta que a manifestação da parte responsável pela execução do contrato é necessária para garantir o contraditório, a ampla defesa e uma análise completa das informações apuradas.

Atuação do Conselho Municipal também foi discutida na Justiça

Outro ponto citado pela defesa do CRAR Clinicão envolve a atuação do Conselho Municipal de Proteção Animal durante o processo. O caso teve participação de representantes da causa animal, clínicas veterinárias e grupos que realizaram denúncias e manifestações relacionadas aos serviços.

Em uma das ações envolvendo o tema, uma decisão de primeira instância havia autorizado o ingresso nas dependências da empresa para fiscalização. A medida, porém, foi posteriormente revogada pelo Tribunal de Justiça do Paraná.

Na decisão, o TJPR entendeu que o Conselho Municipal de Proteção Animal possui caráter consultivo e não tem poder de polícia administrativa para realizar atos de fiscalização próprios do Poder Público.

Para a defesa do CRAR, o episódio demonstra a necessidade de que as apurações respeitem os limites legais de atuação de cada órgão.

Parecer acrescenta novo elemento ao debate

A manifestação do Ministério Público passa a integrar a discussão jurídica envolvendo o contrato do CRAR Clinicão. O posicionamento acompanha decisões anteriores do Tribunal de Justiça que restabeleceram a execução contratual e revisaram medidas determinadas em primeira instância.

No parecer, o MPPR reforça que decisões envolvendo serviços públicos devem considerar os limites dos pedidos apresentados, os impactos práticos das medidas adotadas e a necessidade de garantir o devido processo legal.(Com assessoria)

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Luis Carlos Pimentel
Autoria
Luis Carlos Pimentel
Formado em Técnica Contábil, estudou Jornalismo na Faculdade Secal. Há 40 anos trabalha em meios de comunicação social. Trabalhou em emissoras de rádio, jornais impressos e portais. Registro Mtb/PR - 4451
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