Habitação em SP: Tarcísio e Haddad divergem em propostas
Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad expõem visões opostas para a habitação em São Paulo. Enquanto o governador aposta na ampliação do Casa Paulista, o petista propõe um programa estadual inspirado no Minha Casa Minha Vida Entidades.

Na disputa pelo governo de São Paulo, as propostas dos candidatos Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) para a área de habitação revelam duas visões distintas sobre o papel do estado na redução do déficit habitacional. De um lado, o atual governador aposta na ampliação de políticas já implementadas durante sua gestão, tendo o programa Casa Paulista como principal instrumento. Do outro, o ex-prefeito da capital propõe uma política mais alinhada aos programas habitacionais do governo federal, com maior participação de cooperativas e movimentos sociais.
As eleições de 2026 colocam em pauta o desafio de garantir moradia digna para mais de um milhão de paulistas, segundo estimativas. Apesar das diferenças de modelo, os dois candidatos convergem ao apontar como prioridades as áreas de risco, favelas, mananciais e palafitas. Também defendem que políticas habitacionais sejam integradas a saneamento básico, infraestrutura urbana e equipamentos públicos, além de preverem ações voltadas a grupos vulneráveis, como idosos e mulheres em situação de violência.
Casa Paulista: ampliação e metas ambiciosas
Tarcísio promete ampliar o atendimento do Casa Paulista em favelas, áreas de risco, mananciais e palafitas, com a meta de triplicar o número de beneficiários e atender mais de 30 mil famílias nesses territórios. O plano também prevê ações de urbanização por meio do programa SP Bairros Conectados. No caso específico das palafitas, o governador propõe uma solução urbanística que inclui a construção de moradias sobre as águas, associadas a obras de saneamento, iluminação pública, áreas de lazer, comércio e infraestrutura urbana.
O Dique da Vila Gilda, considerado o maior aglomerado de palafitas da América Latina, é um dos focos dessa proposta. A fonte não detalhou o cronograma de execução. A estratégia de Tarcísio se baseia na combinação de recursos estaduais, cartas de crédito, subsídios e participação do setor privado, com investimentos de cerca de R$ 9 bilhões por meio do Casa Paulista.
Haddad propõe Minha Casa Minha Vida estadual
Fernando Haddad, por sua vez, pretende revisar o programa Vida Digna, voltado às palafitas, com foco no reassentamento das famílias, recuperação ambiental e acompanhamento social ao longo do processo. Também quer fortalecer o programa Viver Melhor, voltado a reformas habitacionais, incluindo melhorias estruturais, sanitárias, acessibilidade e redução de riscos. O petista ainda propõe a criação de um programa de urbanização integrada para territórios vulneráveis, com produção de moradia atrelada ao desenvolvimento econômico.
Entre as medidas apresentadas está a criação do programa “Minha Casa, Minha Vida Entidades Paulista”, inspirado na modalidade do programa federal. A proposta prevê financiamento para cooperativas e associações realizarem projetos por meio de mutirões e gestão comunitária, com valores adaptados aos custos do estado. Haddad também pretende reformular o papel da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), que passaria a atuar como agência de apoio técnico aos municípios e articulação com movimentos sociais.
Modelos de produção e financiamento
A principal diferença entre os candidatos aparece no modelo de produção de moradias. Tarcísio pretende ampliar o modelo adotado em seu primeiro mandato, baseado na combinação de recursos estaduais, cartas de crédito, subsídios e participação do setor privado. O plano menciona investimentos de cerca de R$ 9 bilhões por meio do Casa Paulista, principal vitrine da gestão na área habitacional, e a integração dos projetos habitacionais ao programa de infraestrutura SP Pra Toda Obra.
Pelo programa SP Bairros Conectados, prevê investimentos superiores a R$ 3 bilhões em melhorias habitacionais, obras de saneamento e urbanização de periferias.
Já Haddad propõe fortalecer modelos de autogestão e mutirão. Além do programa estadual inspirado no Minha Casa Minha Vida Entidades, o petista defende a retomada da vinculação de recursos do ICMS ao fundo estadual de habitação. Outra proposta é a criação de uma Secretaria ou Diretoria de Periferias para coordenar ações voltadas aos territórios mais vulneráveis, ampliar a captação de recursos federais e qualificar projetos habitacionais.
Prioridades comuns e desafios
Os dois candidatos colocam a intervenção em áreas vulneráveis entre as prioridades habitacionais, mas propõem soluções diferentes. Quase 170 mil pessoas estão na fila por uma moradia na Grande SP, evidenciando a urgência do tema. Enquanto Tarcísio foca na ampliação de programas existentes e parcerias com a iniciativa privada, Haddad aposta na participação social e na articulação com o governo federal.
Para o eleitor paulista, a escolha em 2026 passará pela avaliação de qual modelo é mais eficaz para enfrentar o déficit habitacional. As propostas apresentadas até agora indicam caminhos distintos, mas ambos reconhecem a necessidade de priorizar as populações mais vulneráveis e integrar habitação a outras políticas urbanas.























