Defesa Civil Nacional monitora avanço do El Niño e prepara estados para eventos extremos
A Defesa Civil Nacional acompanha a evolução do fenômeno e trabalha na preparação de estratégias para apoiar estados e municípios em eventuais situações de emergência

Durante o encontro, especialistas apresentaram as previsões climáticas mais recentes e discutiram os efeitos esperados para diferentes regiões do país nos próximos meses. A Defesa Civil Nacional acompanha a evolução do fenômeno e trabalha na preparação de estratégias para apoiar estados e municípios em eventuais situações de emergência.
De acordo com o coordenador-geral de Gerenciamento de Riscos da Sedec, Leno Rodrigues de Queiroz, os efeitos do El Niño variam conforme cada região brasileira, o que exige planejamento específico.
“Estamos olhando cuidadosamente para possibilidades de estiagem, incêndios e chuvas. A Defesa Civil Nacional está pronta e em contato permanente com órgãos do Sistema Federal de Proteção e Defesa Civil para orientar os estados e municípios e garantir apoio nas estratégias de enfrentamento ao El Niño”, afirmou.
Para o trimestre entre junho, julho e agosto, os prognósticos indicam tendência de chuvas acima da média no centro-sul do Brasil, com maior atenção ao Rio Grande do Sul, apontado como um dos estados com possibilidade de impactos mais significativos. Já as regiões Norte e Nordeste podem enfrentar períodos de seca severa, além do aumento do risco de incêndios florestais e ondas de calor a partir de agosto e setembro.
Intensidade do fenômeno ainda é avaliada
Segundo Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagens do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), os órgãos de monitoramento já trabalham com a possibilidade de ocorrência do fenômeno, mas a intensidade ainda está sendo analisada.
“Temos condições de afirmar que o El Niño vai chegar, mas ainda não há previsões confiáveis sobre a intensidade do fenômeno”, explicou.
O meteorologista Fábio Rocha, da Divisão de Previsão de Tempo e Clima do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), destacou que os modelos indicam uma intensidade entre moderada e forte, especialmente durante a primavera.
“Já conseguimos observar o progressivo aquecimento das águas do Oceano Pacífico indicando a ocorrência do fenômeno e temos previsão de aumento na temperatura da superfície do mar até o final do ano”, afirmou.
A Sedec realiza monitoramento diário da evolução do cenário climático para antecipar possíveis impactos. Segundo o coordenador-geral de Gerenciamento de Desastres da secretaria, Tiago Schnorr, acompanhar os dados técnicos é fundamental para reduzir riscos.
“Precisamos nos antecipar aos cenários prováveis, acompanhando de perto os relatórios e as notas técnicas emitidas pelos institutos de pesquisa”, reforçou.
Ações terão participação de diferentes órgãos
As medidas de enfrentamento aos efeitos do El Niño contarão com atuação conjunta de diferentes áreas do Governo Federal. Participaram da reunião representantes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Ministério da Saúde (MS), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e Defensoria Pública da União (DPU).
O INPE, INMET, Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) divulgaram nota técnica conjunta apontando cerca de 60% de chance de formação do El Niño no segundo semestre de 2026, com possível influência até o início de 2027. (As informações são do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional)
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