Aumento do ICMS sobre diesel provoca embate entre Boulos e Tarcísio; entenda o reajuste
Aumento do ICMS sobre diesel provoca disputa entre Boulos e Tarcísio. Veja os novos valores e os impactos previstos para 2027.

A medida foi definida em 27 de outubro, durante reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), responsável por reunir representantes dos estados e do Distrito Federal para discutir questões tributárias.
Entre os produtos atingidos, o diesel terá o maior reajuste proporcional, de 11,1%. A mudança preocupa especialmente o setor de transportes, já que o combustível é amplamente utilizado por caminhões responsáveis pelo abastecimento de supermercados, indústrias e estabelecimentos comerciais.
Quanto vai aumentar o ICMS sobre os combustíveis?
Os novos valores foram estabelecidos nos convênios ICMS 127/2026 e 128/2026, publicados no Diário Oficial da União em 28 de outubro.
Confira as alterações previstas:
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Diesel: o imposto passará de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, aumento de R$ 0,13.
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Gasolina: a cobrança subirá de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro, acréscimo de R$ 0,07.
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Gás de cozinha: o ICMS será elevado de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo, representando R$ 0,91 a mais em um botijão de 13 quilos.
O reajuste segue uma sistemática de atualização periódica baseada na comparação dos preços médios dos combustíveis. Para o cálculo, foram considerados dados de fevereiro a setembro de 2026 em relação ao mesmo período de 2025.
Boulos critica governador e aponta contradição política
A decisão de elevar o imposto ganhou repercussão neste domingo (1º), quando Guilherme Boulos utilizou suas redes sociais para questionar o posicionamento do governador paulista.
O ministro acusou Tarcísio de Freitas de adotar uma postura diferente daquela apresentada durante a campanha eleitoral, quando criticava o aumento de tributos e defendia a redução da carga tributária.
Boulos argumentou que a elevação do ICMS sobre o diesel poderá atingir não apenas os caminhoneiros, mas toda a população, considerando a dependência brasileira do transporte rodoviário para a distribuição de alimentos e outros produtos.
O ministro também cobrou coerência do governador, afirmando que o discurso contrário à elevação de impostos deveria ser acompanhado de medidas concretas para evitar novos reajustes.
Governo de São Paulo rebate acusações
Após as declarações, o Palácio dos Bandeirantes divulgou um posicionamento contestando as críticas de Boulos.
Segundo o governo paulista, a alteração tributária foi discutida e aprovada no âmbito do Confaz, por meio de uma decisão coletiva que envolve representantes de diferentes estados, inclusive administrações comandadas pelo Partido dos Trabalhadores.
A gestão de Tarcísio classificou as declarações do ministro como uma tentativa de transformar uma decisão tributária nacional em confronto político.
O governo estadual ressaltou ainda que as regras de cobrança do ICMS sobre combustíveis são uniformes no território brasileiro, atingindo estados administrados por diferentes partidos.
Boulos voltou a comentar o assunto nas redes sociais e manteve suas críticas. Para o ministro, a participação do governo paulista na aprovação do reajuste contraria o posicionamento defendido por Tarcísio durante a disputa eleitoral.
Reajuste pode afetar preços dos alimentos e fretes
Além dos reflexos nos postos de combustíveis, a elevação do ICMS sobre o diesel poderá pressionar os custos logísticos em todo o Brasil.
No Paraná, especialmente em Ponta Grossa e nos Campos Gerais, onde o transporte rodoviário tem papel importante na movimentação da produção agrícola, industrial e comercial, o aumento poderá representar custos adicionais para transportadoras, produtores e empresas.
Isso acontece porque o diesel integra as despesas operacionais do transporte de cargas. Caso os custos sejam repassados pelas empresas, mercadorias transportadas por caminhões poderão chegar mais caras aos estabelecimentos.
Produtos alimentícios, materiais de construção e itens de consumo diário estão entre os segmentos que podem sofrer efeitos indiretos.
Entretanto, especialistas do setor destacam que a alteração do tributo não significa necessariamente um aumento equivalente no preço final dos combustíveis. Os valores cobrados dos consumidores também dependem das cotações internacionais do petróleo, das despesas de distribuição, do transporte e das margens praticadas pelas empresas.
Por que o ICMS será reajustado?
O ICMS é um imposto estadual e, no caso dos combustíveis abrangidos pela legislação atual, possui cobrança monofásica, com valores fixos por unidade de produto e regras nacionais uniformes.
A atualização para 2027 ocorre em um cenário de instabilidade no mercado internacional de petróleo, influenciado também pelos conflitos no Oriente Médio e em outras regiões produtoras.
O Confaz utiliza critérios previstos na legislação para atualizar os valores do imposto, considerando a evolução dos preços dos combustíveis.
Embora o reajuste já tenha sido aprovado, seus efeitos estão previstos apenas para fevereiro de 2027, permitindo que distribuidoras, transportadoras e demais empresas do setor se preparem para as novas condições tributárias.
Enquanto isso, o confronto entre Boulos e Tarcísio amplia o debate sobre a responsabilidade dos governos na política de tributação e sobre os impactos econômicos das decisões fiscais para a população.
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