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Política

Anac reconhece impasse e estuda solução para ampliar pista do aeroporto de Ponta Grossa

Durante audiência pública, agência citou a PR-151 e uma linha férrea como obstáculos, mas admitiu a necessidade de buscar uma alternativa técnica para o Aeroporto Sant’Ana

FUTURO DO AEROPORTO
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A ampliação da pista do Aeroporto de Ponta Grossa ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, 29 de julho. Durante audiência pública realizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), representantes do órgão reconheceram que a situação do Aeroporto Sant’Ana precisa ser analisada de forma específica e afirmaram que irão estudar uma solução para o terminal.

A audiência integra a Consulta Pública nº 10/2026, aberta para discutir a repactuação do contrato de concessão do Aeroporto Internacional de Brasília. A proposta também prevê que a futura concessionária assuma dez aeroportos regionais por meio do Programa AmpliAR, entre eles o Aeroporto Sant’Ana, em Ponta Grossa. As contribuições permanecem abertas até 7 de agosto.

Durante a reunião, a prefeita Elizabeth Schmidt apresentou os argumentos do Município para que a ampliação da pista seja incluída entre os investimentos obrigatórios da futura concessionária.

Prefeitura aponta contradição no edital

A principal contestação da Prefeitura está na classificação estabelecida para o aeroporto. O documento enquadra Ponta Grossa na chamada Faixa 3, com estruturas preparadas para receber aeronaves classificadas como Código 3C, mas mantém uma exceção relacionada ao tamanho da pista.

Atualmente, embora a pista tenha extensão física aproximada de 1.430 metros, apenas cerca de 1.280 metros são considerados operacionais. A regra geral aplicada aos aeroportos da Faixa 3 prevê pista com pelo menos 1.799 metros, dimensão mais compatível com aeronaves comerciais como Airbus A320, Boeing 737 e modelos da linha Embraer E2.

Na prática, a exceção prevista no edital pode desobrigar a futura concessionária de executar justamente a ampliação considerada essencial pelo Município para permitir operações regulares de aeronaves maiores.

Elizabeth argumentou que o modelo cria uma incompatibilidade: o edital exige pátio, pavimento e outras estruturas compatíveis com aeronaves Código 3C, mas não determina uma pista com comprimento suficiente para a operação regular desses aviões.

A prefeita também destacou que Ponta Grossa possui aproximadamente 380 mil habitantes e está inserida em uma região que reúne cerca de 1,2 milhão de pessoas. Segundo ela, a infraestrutura aeroportuária precisa acompanhar a importância industrial, logística, empresarial e turística dos Campos Gerais.

Outro ponto levantado foi o volume de investimentos públicos já direcionados ao aeroporto. O novo terminal de passageiros, o novo pátio de aeronaves e a pista de taxiamento foram planejados para atender operações de maior porte. O projeto prevê ainda um pátio com mais de 18 mil metros quadrados e pavimento com capacidade estrutural compatível com aeronaves Código 3C.

Anac cita PR-151 e ferrovia

Ao responder à manifestação de Ponta Grossa, representantes da Anac reconheceram que a ampliação da pista enfrenta limitações físicas importantes.

De um lado do aeroporto está a PR-151, que apresenta um desnível considerável em relação à pista. Do outro, existe uma linha férrea utilizada para o transporte de cargas. Essas características tornam a expansão mais complexa e podem exigir alterações viárias, obras de engenharia e entendimentos com outros órgãos e concessionárias.

Apesar dos obstáculos, a manifestação da agência trouxe uma sinalização positiva. A Anac informou que o assunto já vinha sendo discutido com o setor responsável e reconheceu que será necessário estudar uma solução específica para Ponta Grossa.

A declaração, no entanto, ainda não representa uma decisão definitiva. Durante a audiência, não foi anunciado um novo tamanho para a pista, um cronograma de obras ou a inclusão imediata da ampliação no conjunto de investimentos obrigatórios da concessão.

O pedido apresentado pela Prefeitura, portanto, continuará sendo analisado dentro da consulta pública. A expectativa do Município é que a versão final do edital elimine a exceção dos atuais 1.280 metros e determine que a concessionária execute a obra dentro de um cronograma contratual.

Aeroporto segue sem voos regulares

A discussão ocorre em um momento considerado decisivo para a aviação regional. O Aeroporto Sant’Ana está sem voos comerciais regulares desde o encerramento das operações da Azul. Em posicionamento encaminhado ao BnT Online em 21 de julho, a companhia afirmou que não havia previsão para retomar os voos em Ponta Grossa.

Sem uma ligação aérea regular, empresários, moradores e profissionais dos Campos Gerais continuam dependendo principalmente do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, além de outros terminais mais distantes.

Paralelamente à consulta da Anac, a Prefeitura reorganizou a gestão do aeroporto, transferindo a administração para a Secretaria Municipal de Infraestrutura e criando o Departamento de Administração Aeroportuária.

Também foi autorizado um crédito adicional especial de R$ 19.700.016,01. Desse total, R$ 18.557.693,21 estão relacionados à ampliação da estrutura, R$ 130 mil à aquisição de equipamentos e aproximadamente R$ 1,01 milhão à manutenção das atividades aeroportuárias.

A audiência desta quarta-feira não encerrou o impasse, mas abriu uma nova etapa de negociação. Pela primeira vez durante o processo público, a Anac reconheceu diretamente que as particularidades do Aeroporto Sant’Ana exigem estudos para uma solução própria.

Agora, a principal cobrança de Ponta Grossa é para que esse reconhecimento seja transformado em obrigação concreta no edital. Sem a ampliação da pista, a avaliação do Município e das entidades empresariais é que o novo terminal, o pátio e a taxiway poderão operar abaixo de seu potencial, sem garantir a retomada permanente dos voos comerciais.

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Heryvelton Martins
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Heryvelton Martins
Jonalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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