Trump e Milei entram na lista de “predadores da imprensa” divulgada por ONG internacional
Trump e Milei entram na lista de predadores da imprensa de 2026. Relatório da RSF denuncia ataques a jornalistas e restrições à informação.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Argentina, Javier Milei, estão entre os nomes classificados como “predadores da imprensa” pela organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF). A lista de 2026 foi divulgada nesta segunda-feira (2) e reúne 33 pessoas, instituições e organizações apontadas pela entidade como responsáveis por ameaças à liberdade de imprensa em diferentes partes do mundo.
A publicação coincide com o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas e destaca práticas como intimidação, perseguição judicial, violência, desinformação e pressões econômicas contra profissionais e empresas de comunicação.
Segundo a RSF, os integrantes da lista utilizam diferentes estratégias para enfraquecer o jornalismo independente e dificultar o acesso da população a informações de interesse público.
Trump é acusado de intensificar ataques à imprensa
A inclusão de Donald Trump ocorre após a avaliação das medidas adotadas durante seu segundo mandato na Casa Branca, iniciado em janeiro de 2025.
De acordo com a organização, o presidente norte-americano intensificou críticas públicas aos veículos de comunicação e adotou medidas que restringem o trabalho de jornalistas, incluindo limitações de acesso a instituições governamentais e militares.
A entidade também aponta tentativas de transformar a cobertura jornalística em instrumento de comunicação política, comprometendo a independência dos profissionais da informação.
O cenário se reflete no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa de 2026. Os Estados Unidos caíram sete posições em relação ao ano anterior e passaram a ocupar o 64º lugar entre 180 países e territórios avaliados.
Trump aparece na categoria de predadores políticos, ao lado de Vladimir Putin, presidente da Rússia; Alexander Lukashenko, de Belarus; e Daniel Ortega e Rosario Murillo, da Nicarágua.
Javier Milei também é citado por ataques a jornalistas
O presidente argentino Javier Milei também integra a relação de 2026. Conforme a RSF, desde que assumiu o governo, em dezembro de 2023, o líder argentino tem adotado uma postura de confronto com jornalistas e veículos que fazem críticas à sua administração.
A organização aponta que Milei utiliza frequentemente as redes sociais para desqualificar profissionais da imprensa e questionar a credibilidade de reportagens.
Um levantamento citado pela RSF identificou mais de 1.600 publicações hostis à imprensa realizadas pelo presidente argentino na rede social X durante apenas 47 dias, entre abril e maio de 2026.
A Argentina ocupa a 98ª posição no ranking mundial de liberdade de imprensa, cenário que preocupa organizações internacionais dedicadas à proteção do jornalismo.
Elon Musk e gigantes da tecnologia aparecem na relação
A lista não se limita a governantes. Empresários, plataformas digitais e grandes grupos econômicos também são apontados como responsáveis por práticas que comprometem a independência dos meios de comunicação.
O bilionário Elon Musk, proprietário da rede social X, permanece entre os nomes citados pela RSF. A organização atribui ao empresário responsabilidade pela disseminação de ataques contra jornalistas e pelo estímulo à desconfiança em relação à imprensa profissional.
Na categoria econômica, aparecem as empresas Alphabet, controladora do Google, e Meta, responsável por plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp.
Segundo a entidade, a influência econômica e tecnológica dessas companhias representa um fator de pressão sobre a sustentabilidade financeira dos veículos independentes.
O relatório também menciona empresários como Vincent Bolloré, da França, e Bidzina Ivanishvili, da Geórgia.
Violência contra jornalistas preocupa organização
Outro ponto destacado pela Repórteres Sem Fronteiras envolve a segurança dos profissionais que atuam em regiões marcadas por conflitos armados, organizações criminosas e regimes autoritários.
Entre os grupos citados estão as Forças Armadas de Israel, o Partido Comunista Chinês e organizações ligadas ao narcotráfico mexicano.
No México, conforme a RSF, a atuação de cartéis criminosos contribui para um ambiente de medo e violência, com uma média próxima de um jornalista assassinado por mês pelo crime organizado desde o início de 2026.
O presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, também foi incluído na relação. A entidade cita detenções de jornalistas ligados ao portal de verificação Matsaddash e o fechamento do veículo independente Mada Masr.
Brasil está à frente dos Estados Unidos no ranking
O Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa de 2026 também apresenta um dado relevante para o Brasil. O país ocupa a 52ª posição, à frente dos Estados Unidos, classificados em 64º, e da Argentina, na 98ª colocação.
Apesar do desempenho brasileiro, a organização continua alertando para desafios enfrentados por jornalistas, incluindo pressões políticas, ameaças e dificuldades econômicas para a manutenção de veículos independentes.
A classificação considera aspectos políticos, jurídicos, econômicos, socioculturais e de segurança relacionados ao exercício do jornalismo.
Quem deixou a lista de predadores da imprensa?
A edição de 2026 também apresenta mudanças em relação ao levantamento anterior.
Entre os nomes retirados está Ali Khamenei, antigo líder supremo do Irã, morto durante ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel em fevereiro deste ano.
Nicolás Maduro, afastado do poder na Venezuela e mantido sob custódia nos Estados Unidos, também deixou a relação.
Outros nomes excluídos foram Viktor Orbán, da Hungria, e Aleksandar Vučić, da Sérvia, após derrotas eleitorais que os afastaram do poder.
A RSF esclarece que a lista de predadores é diferente do ranking mundial de liberdade de imprensa. Enquanto o ranking analisa as condições para o exercício do jornalismo em cada país, a relação divulgada nesta segunda-feira identifica pessoas e organizações que, segundo a entidade, atuam diretamente para restringir esse direito.
























