Setor de reparação automotiva cresce nos Campos Gerais, mas enfrenta falta de mão de obra qualificada, diz presidente do Sindirepa
A reparação automotiva nos Campos Gerais cresce em 2025, mas enfrenta falta de mão de obra qualificada, aponta o Sindirepa.
O setor de reparação automotiva nos Campos Gerais segue em expansão e com alta demanda por serviços, mas enfrenta um desafio crescente: a escassez de mão de obra qualificada. O cenário foi detalhado em entrevista concedida por Daniele Araújo, presidente do Sindirepa Campos Gerais, ao Portal BnT Online, como parte de uma série especial em parceria com a Casa da Indústria.
Segundo Daniele, o ano de 2025 manteve o ritmo intenso já observado em 2024. Trabalho não falta nas oficinas e empresas do setor, mas profissionais especializados são cada vez mais disputados. “Os bons técnicos estão empregados e ganhando bem, porque é um segmento que exige qualificação constante”, afirmou. A principal dificuldade, hoje, é atrair jovens para a área, apesar do alto nível de tecnologia presente nos veículos atuais.
A presidente do sindicato destacou que muitos jovens gostam de tecnologia, mas ainda desconhecem as oportunidades dentro da reparação automotiva, que envolve diagnósticos eletrônicos, scanners de última geração e sistemas cada vez mais complexos. “É um setor que só cresce e não para nunca, porque todo mundo conhece alguém que já precisou consertar o carro”, resumiu.
Outro ponto abordado foi a relação com as montadoras e o debate sobre obsolescência programada. Para Daniele, essa realidade não se aplica ao Brasil. “O brasileiro conserta o carro, faz manutenção preventiva e usa o veículo por muitos anos. A reparação automotiva vai muito além do reparo, envolve cuidado e prevenção”, explicou.
Qualificação, parcerias e oportunidades para jovens
Para enfrentar a falta de mão de obra, o Sindirepa mantém parcerias permanentes com SENAI, SESI e Sebrae. Uma das novidades é a oferta de ensino técnico em manutenção automotiva em escolas estaduais de Ponta Grossa, integrando o curso técnico ao ensino médio.
Esses alunos podem ingressar como estagiários em oficinas, respeitando carga horária, bolsa-estágio e limites legais. “Não é mão de obra barata, é mão de obra em formação”, reforçou Daniele, destacando que o estágio prepara o jovem para o mercado e facilita sua efetivação futura.
Oficinas associadas e selo de qualidade
Atualmente, cerca de 90 empresas fazem parte do Sindirepa Campos Gerais. O critério principal para associação é a transparência no atendimento ao cliente. O sindicato também desenvolve um selo de qualidade para certificar oficinas que adotam boas práticas de gestão, atendimento e ética profissional, acompanhando a evolução da chamada “mecânica 4.0”.
Curso de mecânica básica para mulheres
Entre as ações sociais do sindicato, destaca-se o curso Mecânica Básica para Mulheres, que será realizado em fevereiro, no dia 21, em parceria com o SENAI. O curso tem carga horária de oito horas, certificação e é voltado tanto para mulheres que atuam em oficinas quanto para motoristas do dia a dia que desejam mais autonomia e conhecimento básico sobre seus veículos.
Para o Sindirepa, o fortalecimento do associativismo, a qualificação profissional e a modernização das oficinas são caminhos essenciais para manter o crescimento do setor de reparação automotiva nos Campos Gerais e contribuir com o desenvolvimento econômico da região.
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