Seis anos, por Renata Régis Florisbelo
Ele tinha seis anos. Junto dele, sempre, a mãe. O filho era seu universo. E tal universo era vasto, envolvia trabalho, chefe, muitas coisas sobre as quais ela prestava contas. Séria e eficiente, sem se dar conta, cada vez mais assumia tarefas que nem eram da sua conta. A própria chefe lhe cobrava novos serviços […]

Ele tinha seis anos. Junto dele, sempre, a mãe. O filho era seu universo. E tal universo era vasto, envolvia trabalho, chefe, muitas coisas sobre as quais ela prestava contas. Séria e eficiente, sem se dar conta, cada vez mais assumia tarefas que nem eram da sua conta. A própria chefe lhe cobrava novos serviços para em seguida dar bronca-conselho dizendo para ela aprender a dizer “não”. Para aquela chefe não existia “não”.
E o menino seguia com ela, onde fosse. Só não lhe acompanha no trabalho, fisicamente. Em pensamentos e sentimentos era o primeiro a reinar absoluto. Alguma coisa naquele olhar intrigava, alguma coisa fazia aquele corpo magro parecer colossal quando o assunto era o filho. Intriga que algumas mães carreguem o toque da perfeição quando tocam num filho, quando nem tocam, mas encaminham. Marisa das cachoeiras, posto que na primeira vez que a vi e o menino, havia ao fundo uma cachoeira, numa confraternização de trabalho. Aquele menino já deve ser adulto. Já deve ser pai. Aposto que ela ainda lhe lança o mesmo olhar.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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