Ponta Grossa resistiria a um tornado? Dados revelam fragilidades
Ponta Grossa apresenta fragilidades no planejamento para enfrentar desastres, conforme avaliação do Programa de Avaliação de Contas Municipais de Governo (Progov), do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR). Nesse eixo, o município recebeu nota 1,43 em uma escala de zero a dez. Os dados fazem parte da análise da atuação governamental na área […]

Ponta Grossa apresenta fragilidades no planejamento para enfrentar desastres, conforme avaliação do Programa de Avaliação de Contas Municipais de Governo (Progov), do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR). Nesse eixo, o município recebeu nota 1,43 em uma escala de zero a dez.
Os dados fazem parte da análise da atuação governamental na área de Meio Ambiente e Defesa Civil, referente a 2025. As respostas foram fornecidas por agentes públicos municipais e possuem caráter preliminar, estando sujeitas à análise e à conferência técnica do Tribunal.
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O levantamento ganha destaque após o tornado que atingiu Piraí do Sul no último fim de semana. Segundo o TCE-PR, somente seis dos 19 municípios avaliados nos Campos Gerais foram classificados como estruturados para enfrentar eventos climáticos extremos. Ponta Grossa não aparece entre eles.
Cidade não possui sistema próprio de alerta
Embora tenha informado possuir um Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil dentro dos requisitos legais, Ponta Grossa declarou que não avaliou a eficácia desse documento durante o ano de referência. O plano também não estava disponível no site do Município. A administração municipal respondeu ainda que não possui um processo formalizado com os passos necessários para decretar situação de emergência ou estado de calamidade pública.
Também não foram identificados planejamento para coleta, distribuição e controle de suprimentos destinados à população, plano formal de recuperação de áreas afetadas ou protocolo para calcular prejuízos provocados pela interrupção de serviços essenciais. Outro ponto de atenção é a comunicação com os moradores.
De acordo com o Progov, Ponta Grossa não dispõe de sistema próprio de alerta de riscos, como carros de som, megafones, rádios, mensagens por SMS, grupos de WhatsApp ou ferramentas semelhantes capazes de alcançar toda a população. O município também informou não ter realizado simulado para testar o funcionamento do sistema de alerta no período analisado.
Estrutura física tem avaliação melhor
Nos demais eixos da avaliação, Ponta Grossa recebeu notas 4,29 em estrutura institucional da Defesa Civil, 6,67 em estrutura física e recursos e 6,67 em informação, dados e sistemas de alerta. Entre os aspectos positivos, o levantamento mostra que a Defesa Civil possui sala equipada, telefone exclusivo, equipamentos para registro de ocorrências e veículo capaz de acessar áreas remotas.
O município também indicou possuir locais previamente definidos para abrigar pessoas e animais em situações de desastre.
Ponta Grossa conta ainda com socorristas, agentes de saúde e integrantes da Defesa Civil treinados para atuar em emergências. Por outro lado, declarou não possuir gerador elétrico próprio ou de fácil disponibilidade para momentos de crise. Também não foram registrados pontos fixos de distribuição de água para períodos de calor extremo nem capacitações de voluntários para resgates no ano de referência.
Falta diagnóstico sobre servidores
Na estrutura institucional, Ponta Grossa informou possuir uma unidade de Defesa Civil formalizada, servidores efetivos destinados exclusivamente ao setor e profissionais capacitados para o exercício das funções. Entretanto, o Município declarou não ter um diagnóstico atualizado sobre a quantidade necessária de servidores. Também não possui Conselho Municipal Intersetorial de Proteção e Defesa Civil e não incentiva, segundo as respostas apresentadas, a criação de Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil.
O TCE-PR informou que uma nova avaliação dos municípios será realizada em novembro. O Progov analisa mais de cem questões relacionadas à defesa civil, planejamento urbano, drenagem, saneamento, resíduos sólidos e adaptação às mudanças climáticas.
























