Bolinha, por Renata Régis Florisbelo
Muitos gatos já apareceram lá em casa. Impressionava a altivez e olhar inexplicável da Bolinha, uma gata preta de olhos verdes que surgiu ainda filhote. Por diversas vezes sua barriga cresceu para em seguida murchar completamente. Nunca apareceu com filhotes. Seu destaque absoluto era ficar em frente de casa tal qual um cão de guarda. […]

Muitos gatos já apareceram lá em casa. Impressionava a altivez e olhar inexplicável da Bolinha, uma gata preta de olhos verdes que surgiu ainda filhote. Por diversas vezes sua barriga cresceu para em seguida murchar completamente. Nunca apareceu com filhotes. Seu destaque absoluto era ficar em frente de casa tal qual um cão de guarda. E por três anos ao chegar em casa lá estava ela em frente ao portão e ao muro rondando.
Olhar fundo e penetrante que parecia de gente a inquirir sobre a vida. E na última vez que aquela barriga inflou, pesada ela estava na frente de casa quando dois terríveis cachorros de rua a atacaram…
Acolhida e ofegante não resistiu e partiu. Vi então lágrimas escorrem na face do meu amor, que a enterrou sob a copa de um pé de romã. Nunca mais em nenhum outro gato, nem em gente, vi olhar tão enigmático. E no ano seguinte meu amor já havia partido, tão rápido quanto a Bolinha também se foi.
Para mim nunca será do amor o fim.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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