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Privatização da Celepar: Governo do Paraná vai recorrer ao STF e defende constitucionalidade da medida

Governo do Paraná afirma que privatização da Celepar é constitucional e vai recorrer ao STF após suspensão determinada por Flávio Dino.

Gov PR e STF
Imagem: Reprodução
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A privatização da Celepar voltou ao centro do debate político no Paraná após o Governo do Estado anunciar que vai recorrer da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu temporariamente o processo de desestatização da estatal responsável pelos sistemas de dados públicos.

A decisão liminar foi assinada pelo ministro Flávio Dino, que determinou a suspensão do processo até que o Estado apresente garantias concretas sobre a proteção de dados sensíveis dos cidadãos paranaenses.

Em nota divulgada neste domingo (22), o Governo do Paraná afirmou que considera a privatização constitucional e que todo o procedimento segue as exigências legais, especialmente no que diz respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo o Executivo, a eventual mudança no controle acionário não implica transferência irrestrita de bases de dados ao setor privado.

Governo defende legalidade da privatização da Celepar

O Estado sustenta que a empresa continuará submetida à fiscalização da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e que não haverá risco à privacidade dos cidadãos. Outro argumento apresentado é que a desestatização busca ampliar a eficiência e modernizar os serviços digitais oferecidos à população.

A Celepar é responsável por sistemas estratégicos que envolvem dados de saúde, educação, segurança pública, trânsito e arrecadação tributária. Nos Campos Gerais, por exemplo, municípios dependem diretamente dessas plataformas para emissão de documentos, registros administrativos e integração de bancos de dados estaduais.

Esse ponto amplia a discussão sobre o impacto prático da medida. Caso a privatização avance, a estrutura de governança de dados precisará manter rígidos mecanismos de controle, já que praticamente todos os paranaenses possuem informações armazenadas nos sistemas operados pela companhia.

O que motivou a decisão do STF

Ao suspender o processo, Flávio Dino mencionou decisões anteriores do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), que alternaram entre suspensões e liberações do processo, gerando insegurança jurídica.

Além disso, o ministro ressaltou a necessidade de garantir plenamente os direitos fundamentais à privacidade e à proteção de dados. Ele determinou que o governo apresente um Relatório de Impacto à Proteção de Dados Pessoais e comprove que não haverá transferência integral de dados sensíveis para empresas privadas.

Somente após o cumprimento dessas exigências o plenário do STF deverá reavaliar o caso.

Próximos passos

Com a suspensão provisória mantida, o Governo do Paraná prepara recurso para tentar restabelecer o andamento da privatização da Celepar. A empresa, fundada em 1964 e com cerca de 980 funcionários, é considerada estratégica para a gestão digital do Estado. O debate deve continuar nas próximas semanas.

Leia mais: Governador em exercício participa da abertura do MON sem Paredes em Vila Velha, em Ponta Grossa

Nilson de Paula
Autoria
Nilson de Paula
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), mestre em Ciências Sociais Aplicadas pela mesma instituição e produtor cultural. Atua como pesquisador das rotinas e das produções jornalísticas, com foco em relações étnico-raciais, história e política, articulando comunicação, análise social e práticas culturais em sua trajetória profissional e acadêmica.
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