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O pior é que a gente chama isso de vida, por Lucas Gonçalves

Um relato forte sobre burnout, neurodivergência e a pressão por produtividade em uma sociedade que transformou exaustão em rotina de vida.

O pior é que a gente chama isso de vida, por Lucas Gonçalves
O pior é que a gente chama isso de vida, por Lucas Gonçalves
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O pior é que a gente chama isso de vida

Sexta-feira, 22 de maio, fiz 42 anos.

E a única coisa que quero dizer pra humanidade é: Respira.

Como um grito de alguém que quase não sobreviveu ao ritmo que o mundo chama de sucesso.

Sou publicitário. Ganho bem. Tenho cargo, tenho metas, tenho reuniões que poderiam ser e-mail e e-mails que poderiam não existir. Por fora, tudo certo. Por dentro, um sistema nervoso no limite há anos.

Tive burnout. Meu corpo parou quando eu não consegui parar.

Mas o que me quebrou de verdade não foi uma reunião difícil ou uma meta impossível. Foi minha filha de 8 anos olhar pra mim e pra mãe dela e dizer: vocês só trabalham.

Crianças não mentem. Elas só observam o que a gente não quer ver.

Vivemos numa civilização obcecada por performance. Você precisa do carro do ano, da promoção, dos seguidores, do poder, das aparências. Se você não está produzindo, você não está valendo. Se você não está crescendo, você está morrendo.

E nesse jogo, tudo que é humano vai ficando pra depois.

A saúde. A família. Os sonhos. A conexão com você mesmo. O tempo, esse não volta mais.

Fui trocando o que era vivo pelo que era mensurável.

Sou neurodivergente. Meu sistema nervoso já processa o mundo com mais intensidade do que a média, mais estímulo, mais ruído, mais tudo. Não é fraqueza. É uma forma diferente de estar vivo. Mas pega esse sistema e coloca dentro de uma máquina corporativa desenhada pra extrair o máximo de cada pessoa, o tempo todo, sem pausa e você tem uma receita de colapso silencioso. O tipo que ninguém vê porque você ainda está de pé, ainda está entregando, ainda está sorrindo nas reuniões. Demorei 42 anos pra entender isso com clareza. E mais alguns pra parar de me envergonhar disso.

Não tenho respostas prontas. Ainda pago minhas contas me submetendo ao mesmo sistema que me adoece. Ainda acordo todo dia carregando essa contradição. Mas alguma coisa em mim recusou continuar fingindo que está tudo bem.

Você que lê isso provavelmente também está exausto. Provavelmente também sente que algo está fundamentalmente errado, mas ainda não sabe nomear.

A humanidade está quebrada. Mentalmente, emocionalmente e espiritualmente.

E o pior não é isso.

O pior é que a gente chama isso de vida.

 

Leia também: A vida te deu um limão? Faça uma limonada (ou jogue na cara de quem te incomoda)

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Lucas Gonçalves
Autoria
Lucas Gonçalves
Minha carreira é definida pela habilidade de combinar tradição com inovação, isso resulta em estratégias de marketing e growth que normalmente excedem as expectativas convencionais. Tenho um histórico diversificado, com passagens por agências de publicidade, startups, incorporadoras, multinacionais e escritórios de cybersegurança, isso demonstra a minha versatilidade e capacidade de adaptação. Curioso, procuro antecipar algumas tendências. Tenho uma abordagem mais centrada na análise de dados e na criatividade, visando resultados que impulsionam o crescimento dos negócios.
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