SÁBADO · 27 JUN 2026Ponta Grossa 12°C ☁️
Publicidade
Colunistas

No Sul bolsonarista, Ratinho arrisca o sucessor ao se afastar de Bolsonaro

Mesmo com alta aprovação, Ratinho Júnior enfrenta dificuldade para definir sucessor no Paraná. Guto Silva aparece com menos de 8% nas pesquisas.

Coluna Glaidson Carlos
Reprodução
Publicidade

A política costuma ser marcada por controvérsias, especialmente quando se trata da transferência de capital eleitoral. Não são raros os casos em que um governante, mesmo com índices elevadíssimos de aprovação, não consegue transferir esse desempenho a um sucessor.

No Paraná, esse cenário aparece de forma clara. O governador Ratinho Júnior mantém aprovação superior a 80%, mas seu principal nome para a sucessão nas eleições deste ano, o secretário das Cidades, Guto Silva, aparece com menos de 8% das intenções de voto entre os paranaenses.
Alguns fatores ajudam a explicar esse quadro. Ratinho ainda não oficializou apoio nem a Guto, nem a outros aliados, como o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, ou o ex-prefeito Rafael Greca. Além disso, a presença de um adversário como Sérgio Moro, mesmo enfrentando dificuldades para articular um grupo político, inclusive dentro do próprio União Brasil, que resiste à sua candidatura, representa um peso relevante em uma disputa onde popularidade fora da capital ainda é um desafio para alguns nomes.

No Paraná, a indefinição sobre o sucessor chega de forma tardia e pode se agravar caso Ratinho Júnior avance em uma eventual candidatura presidencial pelo PSD, de Gilberto Kassab. Se disputar o Palácio do Planalto, o governador precisará concentrar esforços na campanha nacional, deixando em segundo plano uma disputa estratégica para a manutenção do seu capital político no estado. Esse espaço pode ser ocupado por um antagonista como o senador Moro, que tem forte apelo em setores mais à direita no Sul, especialmente no eleitorado anti-Lula.

Embora uma análise mais aprofundada dos números seja necessária, o fato de governar um estado majoritariamente bolsonarista pode se tornar um fator de desgaste para Ratinho e para qualquer sucessor. Isso vale tanto em um cenário de disputa presidencial quanto na tentativa de transferência de capital político estadual, especialmente diante de um eleitorado que pode enxergar contradição em alianças que hoje dividem o campo político ligado ao bolsonarismo, que tem em Flávio Bolsonaro um dos nomes cotados para 2026.

Leia também: Ratinho e Moro contra Cristina, o bastião do bolsonarismo no PR, por Gleidson Carlos

Gleidson Carlos
Autoria
Gleidson Carlos
Gleidson Carlos Greinert é jornalista formado em Comunicação Social desde 2014. Atua como escritor/articulista político, radialista e presta assessoria de imprensa e marketing. Ele é pós-graduado em Ciência Política.
Ver todas as matérias →
Publicidade
Publicidade
Notícias relacionadas
Web Stories
Todas →
VídeosMais vídeos para você curtir
Ver no YouTube →