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Microplásticos já contaminam mais de 90% dos peixes analisados no litoral do Paraná

Segundo a pesquisadora, os peixes demersais — espécies que vivem próximas ao fundo do mar — registraram os maiores índices de contaminação

Microplásticos já contaminam mais de 90% dos peixes analisados no litoral do Paraná
Agência Brasil
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Uma pesquisa realizada no litoral do Paraná acendeu um alerta sobre a presença de microplásticos em espécies marinhas comercializadas na região. O levantamento, conduzido pela oceanógrafa Fernanda Possatto, apontou que 93,6% dos peixes analisados apresentaram partículas plásticas no trato digestivo.

O estudo avaliou 47 peixes coletados em feiras e mercados do litoral paranaense. Desses, 44 apresentaram contaminação por microplásticos, fragmentos menores que 5 milímetros provenientes da degradação de materiais plásticos descartados no meio ambiente.

Segundo a pesquisadora, os peixes demersais — espécies que vivem próximas ao fundo do mar — registraram os maiores índices de contaminação. Apesar do resultado, Fernanda tranquiliza sobre o consumo da carne dos animais.

“Hoje a gente não está falando de risco para a saúde humana porque normalmente não se consome o trato digestivo, mas sim o músculo do peixe”, explicou durante apresentação realizada na sede da Associação Mar Brasil, em Pontal do Paraná.

A pesquisadora, que integra o Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), destaca que os dados reforçam a necessidade de novos estudos para entender os impactos do microplástico na cadeia alimentar e nos organismos marinhos.

“Precisamos compreender quanto dessas substâncias tóxicas presentes nos microplásticos pode ser absorvido pelos tecidos musculares dos peixes”, afirmou.

A sede da Associação Mar Brasil fica em uma área estratégica do litoral paranaense, próxima à Ilha do Mel, manguezais, comunidades indígenas e ao Porto de Paranaguá, região que concentra intensa movimentação marítima.

De acordo com Fernanda, estudos já apontam que os microplásticos podem liberar substâncias químicas capazes de provocar alterações na fecundidade de animais e até o surgimento de tumores, embora os efeitos ainda estejam sendo analisados pela comunidade científica.

Os microplásticos surgem a partir da fragmentação de resíduos maiores, como embalagens, garrafas, pneus, tecidos sintéticos e tintas. Sob ação do tempo, do sol e das condições ambientais, essas partículas se espalham pela água, pelo solo e pelo ar, alcançando diferentes níveis da cadeia alimentar.

Pesquisas recentes também identificaram a presença dessas partículas em placentas e cordões umbilicais humanos, ampliando a preocupação internacional sobre o tema. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece os riscos potenciais da poluição por microplásticos e defende o avanço de estudos científicos para compreender os efeitos à saúde humana.

Além dos peixes, o Rebimar identificou microplásticos em aves que vivem próximas ao ambiente marinho. O estudo analisou gaivotas e corujas-buraqueiras por meio de materiais regurgitados pelas aves. Em 69% dos casos foram encontrados fragmentos plásticos.

Para Fernanda Possatto, a presença dos resíduos tanto em áreas urbanizadas quanto em regiões ambientalmente preservadas demonstra que o problema ultrapassa fronteiras geográficas.

“Os fragmentos são transportados por correntes marítimas, ventos e marés. Isso mostra que o plástico é um problema sistêmico”, concluiu a oceanógrafa.(As informações são da Agência Brasil)

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Luis Carlos Pimentel
Autoria
Luis Carlos Pimentel
Formado em Técnica Contábil, estudou Jornalismo na Faculdade Secal. Há 40 anos trabalha em meios de comunicação social. Trabalhou em emissoras de rádio, jornais impressos e portais. Registro Mtb/PR - 4451
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