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‘Mancharam o nome do meu filho’: fundador de CMEI relata perseguição e acusações falsas

Fundador do Centro de Educação Infantil João Vitor relata abandono, acusações injustas e histórico de perseguições envolvendo a atual direção

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Foto: Google Street View
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O clima no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) João Vitor, localizado na região da vila Jardim Maracanã, segue tenso após uma série de denúncias envolvendo a atual direção da unidade. O fundador do local, que durante nove anos atuou como diretor voluntário, afirma ter sido impedido de entrar na instituição e está movendo uma ação judicial por danos morais. O conflito ganhou força após publicações em redes sociais e o surgimento de novos relatos de ex-funcionários sobre perseguições internas.

O CMEI João Vitor teve origem em 2006, idealizado como um projeto social vinculado à Seara Espírita Mãe Apolônia. Segundo o fundador, a escola foi construída com o apoio de voluntários e doações, inclusive com recursos provenientes de bazares realizados com mercadorias cedidas pela Receita Federal.

Durante quase uma década, a instituição funcionou por meio de convênio com a prefeitura, oferecendo atendimento gratuito a famílias da região, principalmente na educação infantil. “Eu trabalhava na Receita Estadual e conciliava isso com a direção da escola, sem receber um centavo. Vários amigos ajudavam, doavam carne, alimentos… tudo voluntário”, afirma o ex-diretor.

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Crise após municipalização

O cenário começou a mudar em 2015, quando a prefeitura decidiu municipalizar os centros conveniados. A mudança afetou diretamente o funcionamento da unidade, com cortes de recursos e alterações nas diretrizes pedagógicas. Segundo o fundador, o valor repassado por criança foi reduzido, e o número de funcionários precisaria aumentar, o que inviabilizou financeiramente a gestão filantrópica. “Faltava quase R$ 10 mil por mês só para a folha de pagamento. Não havia como continuar.”

Com a municipalização, a prefeitura assumiu a gestão direta e indicou uma nova diretora – na época uma pedagoga recém-aprovada em concurso público, que permanece no cargo até hoje. Segundo o relato, foi feito um acordo para manter o nome da escola em homenagem ao filho falecido do fundador.

Contudo, os atritos começaram logo após a transição. Ao tentar buscar documentos para realizar a rescisão dos antigos funcionários, o fundador afirma ter sido impedido de entrar no prédio pela atual diretora, que teria fechado o portão em sua cara.

Acusações de abandono e perseguição

Com o passar do tempo, surgiram comentários públicos em redes sociais acusando o fundador de abandono da unidade. Ele nega as acusações, afirma que sua saída foi forçada pelo modelo adotado pela prefeitura e diz que muitos dos comentários negativos vêm de pessoas ligadas à atual gestora.

Além disso, ex-funcionários relataram episódios de perseguição moral no ambiente escolar. Segundo a denúncia, pelo menos três pessoas – incluindo uma ex-funcionária administrativa – afirmaram ter sofrido assédio por parte da equipe de gestão, que teria histórico semelhante em outras unidades escolares.

Há ainda acusações de que a atual diretora usaria sua influência junto ao conselho escolar, com apoio de familiares, para garantir sua permanência no cargo.

Busca por respostas e apuração da prefeitura

Após fazer uma publicação em rede social questionando a situação da gestão, o fundador foi contatado pela Secretaria Municipal de Educação, com quem se reuniu recentemente. De acordo com ele, a secretária foi receptiva e afirmou que os departamentos competentes já estão apurando os fatos relatados. “Ela pediu um prazo para dar retorno e se comprometeu a me chamar novamente para apresentar o que foi feito.”

A questão da permanência da atual diretora também foi levantada na reunião. Como ela foi eleita por votação da comunidade escolar, existe certa proteção legal ao cargo. No entanto, segundo informações repassadas pela Secretaria, as denúncias podem influenciar na elegibilidade da gestora para a próxima eleição, prevista para outubro ou novembro.

O fundador encerra dizendo que, neste momento, aguarda as investigações e acredita que as providências serão tomadas.

Lincoln Vargas
Autoria
Lincoln Vargas
Jornalista pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, trabalho em diversas frentes da área jornalística, mas com uma paixão especial pelo mundo do esporte. Além de fazer parte da redação do Portal BNT, também atuo como repórter setorista do Operário Ferroviário e repórter freelancer.
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