Inadimplência causada por apostas online retira R$ 143 bilhões do varejo, aponta CNC
Inadimplência causada por apostas online já retirou R$ 143 bilhões do varejo brasileiro; valor equivalente a dois períodos completos de vendas de Natal.

Um levantamento divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revela que a inadimplência causada por apostas online provocou um impacto expressivo no varejo brasileiro. Entre janeiro de 2023 e março de 2026, o setor deixou de movimentar cerca de R$ 143 bilhões — valor equivalente a dois períodos completos de vendas de Natal.
O crescimento acelerado das plataformas de apostas tem sido um dos principais fatores. Atualmente, os brasileiros destinam mais de R$ 30 bilhões por mês a esse tipo de atividade, comprometendo uma parcela significativa da renda familiar.
Como consequência direta, cerca de 270 mil famílias entraram em situação de inadimplência severa, com atrasos superiores a 90 dias. O cenário contribui para o aumento do endividamento geral no país, que já atinge 80,4% das famílias — acima dos 78% registrados no fim de 2022.
Segundo a CNC, o problema vai além do consumo supérfluo. A análise indica que muitas famílias estão deixando de adquirir até itens essenciais para manter gastos com apostas. O perfil mais vulnerável inclui homens, pessoas com mais de 35 anos, renda de até cinco salários mínimos e nível de escolaridade a partir do ensino médio.
Mesmo entre famílias de maior renda, o fenômeno preocupa. Nesse grupo, as apostas vêm sendo usadas como alternativa a outras formas de crédito, mas também resultam em atrasos financeiros e desorganização do orçamento.
O presidente da CNC, José Roberto Tadros, classificou a situação como um “risco sistêmico” para a economia e defendeu medidas de regulação, incluindo restrições à publicidade das plataformas.
Por outro lado, representantes do setor de apostas contestam os números. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) afirmam que os dados são exagerados e cobram mais transparência na metodologia utilizada. As entidades argumentam que o endividamento das famílias brasileiras é resultado de diversos fatores econômicos, e não exclusivamente das bets.
*Com informações da Agência Brasil
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