SÁBADO · 27 JUN 2026Ponta Grossa 11°C
Publicidade
Brasil

Estudo brasileiro desenvolve exame de sangue com 90% de precisão para diagnóstico do Alzheimer

Pesquisa realizada por instituições do Rio de Janeiro mostra eficácia em diferentes regiões do país e pode ser alternativa ao exame de líquor no futuro

alzheimer
Foto: Louis Reed/ Unsplash
Publicidade

Um exame de sangue para diagnóstico precoce da doença de Alzheimer atingiu mais de 90% de confiabilidade em estudos recentes realizados no Brasil, índice considerado ideal pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A análise, comparada ao tradicional exame de líquor — considerado o “padrão ouro” —, envolveu 59 pacientes e se mostrou eficaz mesmo em populações com genética e contextos socioculturais distintos.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto D’Or e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), incluindo os professores Sérgio Ferreira, Fernanda De Felice e Fernanda Tovar-Moll. “São duas regiões diferentes do país, com características completamente distintas, e o exame funcionou muito bem”, destacou o pesquisador Zimmer.

Impacto da escolaridade no avanço da doença

O estudo também apontou que a baixa escolaridade é um dos principais fatores de risco para o declínio cognitivo, superando idade e sexo. “O cérebro exposto à educação formal cria mais conexões. É como se exercitássemos o cérebro, o que o torna mais resistente ao declínio”, explicou Zimmer.

O dado reforça a ligação entre fatores socioeconômicos, educacionais e o envelhecimento cerebral, destacando a importância de políticas públicas voltadas à educação ao longo da vida.

Caminho até o SUS

Atualmente, testes como o americano PrecivityAD2 já estão disponíveis na rede privada brasileira, com preços que podem chegar a R$ 3,6 mil. A proposta da pesquisa nacional é justamente oferecer uma alternativa gratuita e acessível via SUS.

Para isso, o exame precisa comprovar desempenho em amostras mais amplas e enfrentar etapas de validação técnica e logística. “Precisamos entender onde e quando os exames serão utilizados, que população será beneficiada e se vão, de fato, acelerar o diagnóstico no SUS”, afirmou o pesquisador.

O prazo para os resultados definitivos é de aproximadamente dois anos.

Confira as últimas notícias policiais de Ponta Grossa

Foco em fases iniciais da doença

Embora a maior parte dos diagnósticos ocorra a partir dos 65 anos, os próximos estudos serão direcionados a pessoas com mais de 55 anos, visando identificar a fase pré-clínica do Alzheimer, quando a doença começa a se instalar silenciosamente. “A ideia é mapear a prevalência desses indivíduos e melhorar a capacidade de intervenção precoce”, concluiu Zimmer.

Dados sobre a doença no Brasil e no mundo

Segundo a OMS, cerca de 57 milhões de pessoas no mundo vivem com algum tipo de demência — sendo que 60% têm Alzheimer. No Brasil, o Relatório Nacional sobre Demência 2024 estima 1,8 milhão de casos, com previsão de que esse número triplique até 2050.

A pesquisa foi publicada na revista Molecular Psychiatry e recebeu reforço de uma revisão internacional publicada em setembro, no periódico Lancet Neurology. O estudo conta com apoio do Instituto Serrapilheira.

*Com informações da Agência Brasil

Lincoln Vargas
Autoria
Lincoln Vargas
Jornalista pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, trabalho em diversas frentes da área jornalística, mas com uma paixão especial pelo mundo do esporte. Além de fazer parte da redação do Portal BNT, também atuo como repórter setorista do Operário Ferroviário e repórter freelancer.
Ver todas as matérias →
Publicidade
Publicidade
Notícias relacionadas
Web Stories
Todas →
VídeosMais vídeos para você curtir
Ver no YouTube →