Confesso que, ao observar a entrada de Ronaldo Caiado como presidenciável pelo PSD, não vejo um movimento de equilíbrio no cenário político. Pelo contrário. O que se desenha, na minha leitura, é mais um passo rumo à radicalização.
A ideia de uma “terceira via”, tão discutida nos últimos anos, parece cada vez mais distante da realidade. O partido comandado por Gilberto Kassab, que em outros momentos tentou se posicionar como alternativa de centro, agora assume de forma mais clara seu lugar dentro de uma disputa já marcada por polos bem definidos. Não há novidade nisso — há, sim, uma reorganização dentro do mesmo tabuleiro.
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E o efeito disso, sinceramente, não surpreende. A cada movimento como esse, o cenário eleitoral vai sendo empurrado para um segundo turno cada vez mais carregado de extremos. Muda-se o discurso, reposicionam-se as peças, mas o desfecho costuma seguir um padrão conhecido.
No fim das contas, o poder continua circulando entre os mesmos grupos. Falta ruptura, falta renovação real. E talvez seja justamente isso que mais chama a atenção — ou que mais preocupa.
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O eleitor brasileiro já viveu esse roteiro recentemente. Em 2018, a escolha foi marcada por um voto contra o PT. Em 2022, por um voto contra o bolsonarismo. E agora, olhando para o que começa a se desenhar, fico com a sensação de que estamos caminhando novamente para o mesmo ponto.
Não para escolher o melhor projeto de país, mas, outra vez, para decidir qual é o menos rejeitado.
E isso diz muito mais sobre o nosso sistema político do que sobre qualquer candidato específico.