Em entrevista ao BnT News, médico detalha cirurgia inédita de osteointegração realizada em PG
A técnica inovadora, aplicada pela primeira vez na região e pela segunda vez no Paraná, representa um salto importante no tratamento de pessoas amputadas

O médico ortopedista Dr. Carlos Miers, especialista em reconstrução e alongamento ósseo, foi entrevistado nesta segunda- feira (19) no BnT News. Ele falou sobre a cirurgia inédita de osteointegração realizada nos Campos Gerais. A cirurgia foi realizada na Santa Casa de Misericórdia de Ponta Grossa, em parceria com o Instituto de Ortopedia dos Campos Gerais. O procedimento consiste na instalação de um pino de titânio diretamente no osso do membro amputado, permitindo que a prótese seja conectada de forma fixa, eliminando o uso do soquete – estrutura tradicional que envolve o coto e, frequentemente, causa dores, feridas e limitações aos pacientes.
“Essa técnica devolve mais autonomia e conforto para o amputado. Ele se livra dos problemas do soquete e passa a caminhar de forma mais natural”, explicou Dr. Carlos durante a entrevista ao vivo no BnT News.
Segundo o médico, a cirurgia dura cerca de três horas e o paciente permanece internado por um a dois dias. Após seis a oito semanas, inicia-se o processo de reabilitação com fisioterapia e acompanhamento técnico para adaptação à nova prótese. Dr. Carlos ainda comparou o procedimento à implantodontia utilizada na odontologia, destacando que o conceito biológico é semelhante: “Assim como no implante dentário, o pino ósseo é fixado e parte dele fica para fora, permitindo a conexão direta da prótese.”
A técnica pode ser aplicada em pacientes com amputações acima ou abaixo do joelho, no braço ou antebraço, desde que tenham o esqueleto maduro. “Não há idade máxima. Avaliamos o estado geral de saúde e a atividade do paciente. O importante é que ele esteja em boas condições para a reabilitação”, frisou. O ortopedista ressaltou que o implante é permanente e, ao contrário do soquete, não precisa ser trocado com o tempo, já que o corpo o incorpora progressivamente.
“Queremos transformar Ponta Grossa em um centro de referência na reabilitação de amputados. A região merece acesso à medicina de ponta”, pontua Dr. Carlos Miers.
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