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Despejos da Copel atingem milhares de famílias no Paraná

A empresa afirmou que tem obrigação legal de manter livres as áreas sob linhas de transmissão, destacando os riscos à população

Despejos da Copel atingem milhares de famílias no Paraná
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O impasse vivido por famílias despejadas ou ameaçadas de remoção por estarem em áreas próximas a linhas de transmissão de energia foi debatido em audiência pública realizada na manhã desta terça-feira (31), na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). O encontro, proposto pelo deputado Arilson Chiorato (PT), resultou na criação de duas frentes para buscar soluções ao problema — uma envolvendo órgãos públicos e outra formada por moradores e movimentos sociais.

Durante a audiência, foi apresentado que cerca de 10 mil famílias podem estar nessa situação em todo o estado. Como encaminhamento, foi proposta a criação de um Grupo de Trabalho Interinstitucional, reunindo representantes da Alep, do Governo do Estado, prefeituras, Defensoria Pública, Ministério Público e a Copel. A ideia é estabelecer diálogo direto para discutir prazos de despejo e alternativas de realocação.

Segundo o deputado, eventuais remoções devem ser acompanhadas de soluções concretas. “Se houver despejo, é necessário garantir moradia, com casa, terreno e documentação”, afirmou. Também foi anunciada a criação da Associação Contra os Abusos da Copel (ACOP), que pretende reunir moradores atingidos e entidades ligadas ao direito à moradia.

O tema ganhou força nos últimos anos, especialmente após a privatização da Copel. De acordo com críticas apresentadas na audiência, as remoções vêm sendo realizadas sem a garantia de reassentamento das famílias. “Muitas dessas pessoas vivem nesses locais há décadas, inclusive antes da instalação das linhas de transmissão”, destacou Chiorato.

Representantes de comunidades da Região Metropolitana de Curitiba também participaram do encontro. Em Almirante Tamandaré e São José dos Pinhais, cerca de 350 famílias enfrentam ou já enfrentaram situações de despejo — sendo 200 no primeiro município e 150 no segundo, conforme dados de lideranças locais.

A coordenadora estadual da União por Moradias do Paraná (UMP), Eliane Guenze, defendeu planejamento por parte do poder público antes de qualquer remoção. “É preciso pensar em projetos habitacionais e respeitar os vínculos dessas famílias, que vivem nesses locais há muitos anos”, afirmou.

O auditório ficou lotado de moradores que relataram situações de perda e insegurança. Entre eles, Sueli Ananias da Silva contou que a casa onde vivia sua filha foi demolida após um prazo de 30 dias. Segundo ela, a família possuía documentação do imóvel e pagava impostos regularmente. Desde então, filha e netos passaram a viver com ela.

Outra participante, a idosa Terezinha de Jesus Rafael, de 78 anos, relatou ter sido retirada da casa onde viveu por décadas. Desde a remoção, passou por diferentes moradias e ainda não possui residência fixa.

Durante o debate, lideranças comunitárias questionaram a regularização das áreas, já que muitas famílias pagam IPTU e, em alguns casos, adquiriram os imóveis por meio de financiamento. Também foi levantada a falta de informação prévia sobre os riscos dessas regiões.

Especialistas presentes alertaram que áreas próximas a linhas de transmissão apresentam riscos à segurança, devido à alta tensão elétrica. No entanto, também foi questionada a ausência de ações preventivas ao longo dos anos. “O problema não surgiu agora, mas passou a ser tratado de forma urgente e sem planejamento”, pontuaram.

Entre os encaminhamentos, também foi destacada a necessidade de garantir acompanhamento jurídico às famílias e ampliar políticas habitacionais. Em São José dos Pinhais, por exemplo, cerca de 80 famílias já têm previsão de reassentamento, condicionado à entrega de novas moradias.

A Copel não participou da audiência, mas enviou posicionamento por escrito. A empresa afirmou que tem obrigação legal de manter livres as áreas sob linhas de transmissão, destacando os riscos à população. Também informou que participa de discussões junto ao Tribunal de Justiça do Paraná para buscar soluções que considerem tanto a legislação quanto a proteção social das famílias envolvidas. (Com assessoria)

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Luis Carlos Pimentel
Autoria
Luis Carlos Pimentel
Formado em Técnica Contábil, estudou Jornalismo na Faculdade Secal. Há 40 anos trabalha em meios de comunicação social. Trabalhou em emissoras de rádio, jornais impressos e portais. Registro Mtb/PR - 4451
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