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Violência contra pessoas trans diminui, mas país segue como o mais letal no mundo

A violência permanece mais intensa no Nordeste, que contabilizou 38 casos, seguido do Sudeste (17), Centro-Oeste (12), Norte (7) e Sul (6).

Violência contra pessoas trans diminui, mas país segue como o mais letal no mundo
Agência Brasil
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O Brasil permanece, pelo 18º ano consecutivo, como o país que mais mata pessoas travestis e transexuais no mundo. É o que mostra a mais recente edição do dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), divulgada nesta segunda-feira (26). Em 2025, foram registrados 80 assassinatos, número que — apesar de representar uma queda de cerca de 34% em relação aos 122 casos de 2024 — mantém o país no topo do ranking global.

Para a presidente da Antra, Bruna Benevides, os dados não podem ser interpretados como sinal de melhora real.
Não são mortes isoladas. Revelam uma população exposta à violência extrema desde cedo, atravessada por exclusão social, racismo, abandono institucional e sofrimento psicológico contínuo”, afirmou.

Violência concentrada no Nordeste e entre jovens trans

O levantamento indica que, em 2025, os estados com mais assassinatos foram Ceará e Minas Gerais, ambos com oito registros. A violência permanece mais intensa no Nordeste, que contabilizou 38 casos, seguido do Sudeste (17), Centro-Oeste (12), Norte (7) e Sul (6).

Uma análise ampliada feita pela Antra, considerando o período de 2017 a 2025, reforça o estado de São Paulo como o mais letal, com 155 mortes. A grande maioria das vítimas são travestis e mulheres trans jovens, entre 18 e 35 anos, predominantemente negras e pardas.

O dossiê ainda aponta aumento nas tentativas de homicídio, o que indica que a queda nos assassinatos não reflete redução efetiva da violência.

Subnotificação e falta de políticas públicas são apontadas como causas

Segundo a Antra, parte da gravidade está na forma como os dados são produzidos. As estatísticas resultam principalmente de monitoramento de notícias, denúncias diretas e registros de organizações da sociedade civil.

Para Benevides, isso por si só já demonstra abandono:
Se a sociedade civil não monitorar, essas mortes simplesmente não existem para o Estado”, criticou.

A organização atribui a continuidade da violência a fatores como:

  • subnotificação de crimes contra pessoas trans;

  • descrédito nas instituições de segurança e justiça;

  • retração da cobertura jornalística;

  • ausência de políticas públicas efetivas;

  • falta de proteção específica para mulheres trans.

Recomendações e cobrança ao poder público

Além do diagnóstico, o dossiê traz recomendações destinadas ao poder público, ao sistema de justiça, à segurança e às instituições de direitos humanos. O objetivo é romper o ciclo de impunidade e garantir proteção real à população trans.

Benevides reforça que é necessário incluir mulheres trans nas políticas já existentes.
É preciso tornar acessível o que já existe e implementar o que ainda não foi alcançado. Há dados suficientes — falta ação do poder público”, afirmou.

A 9ª edição do Dossiê: Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras será apresentada oficialmente no auditório do Ministério dos Direitos Humanos, com entrega ao governo federal.

Mortes violentas no Brasil: panorama geral

Os dados da Antra convergem com levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB), divulgado em 18 de janeiro no Observatório de Mortes Violentas de LGBT+ no Brasil.

Em 2025, foram documentadas 257 mortes violentas envolvendo pessoas LGBT+, incluindo:

  • 204 homicídios,

  • 20 suicídios,

  • 17 latrocínios,

  • 16 mortes por outras causas, como atropelamentos e afogamentos.

O número representa queda de 11,7% em relação aos 291 registros de 2024, mas ainda corresponde a uma morte a cada 34 horas no país.

Ainda conforme o GGB, o Brasil também liderou em 2025 os índices globais de homicídios e suicídios envolvendo pessoas LGBT+, seguido por México (40) e Estados Unidos (10).

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Luis Carlos Pimentel
Autoria
Luis Carlos Pimentel
Formado em Técnica Contábil, estudou Jornalismo na Faculdade Secal. Há 40 anos trabalha em meios de comunicação social. Trabalhou em emissoras de rádio, jornais impressos e portais. Registro Mtb/PR - 4451
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