Violência contra a mulher em Ponta Grossa cresce e especialista alerta para impacto da misoginia nas redes
Especialista analisa violência contra a mulher em Ponta Grossa, alerta para riscos e impacto da misoginia nas redes sociais.

A violência contra a mulher em Ponta Grossa segue como um dos principais desafios sociais do município. Dados recentes mostram crescimento expressivo nos registros, acompanhando uma tendência nacional que também preocupa especialistas.
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Entre 2018 e 2022, os casos saltaram de 4.524 para 7.393 ocorrências, um aumento de 63,4%. No total, foram mais de 32 mil registros no período. Já em âmbito nacional, apenas no primeiro semestre de 2025, o Brasil contabilizou 2.978 casos de feminicídios consumados e tentados.
Durante entrevista do BNT News, a Dra. Nara Luiza Valente, coordenadora do Núcleo Maria da Penha (NUMAPE) da UEPG e professora de direito, explique que os números refletem uma realidade que vai além das estatísticas oficiais.
“Atualmente, acompanhamos mais de 2.800 processos envolvendo mulheres em situação de violência, incluindo casos criminais e questões familiares”, explica.
VIOLÊNCIA COMEÇA DE FORMA SILENCIOSA
Segundo Nara, a maioria dos casos tem início com violência psicológica, um tipo de agressão muitas vezes invisível, mas extremamente perigosa. “Ela funciona como uma antessala para situações mais graves, podendo evoluir até o feminicídio”, alerta.
Esse padrão se repete em diversos atendimentos realizados pelo NUMAPE, evidenciando que o problema está enraizado em comportamentos cotidianos.
Apesar dos números elevados, muitos casos não são denunciados. A violência, na maioria das vezes, acontece dentro de casa, dificultando a identificação e o rompimento do ciclo. A falta de conhecimento sobre a rede de apoio ainda é um obstáculo. “Muitas mulheres não sabem onde buscar ajuda, seja no NUMAPE, na Delegacia da Mulher ou em outros serviços disponíveis”, destaca Valente.
VIOLÊNCIA DE GÊNERO NAS PLATAFORMAS SOCIAIS
Outro fator que chama atenção na análise da especialista é o impacto da internet na disseminação de discursos misóginos. A chamada “machosfera” tem contribuído para a normalização de ideias que reforçam a submissão feminina, principalmente entre jovens.
Estudos indicam que cerca de 30% dos jovens acreditam que a mulher deve ocupar papéis subordinados na sociedade um dado que acende alerta. “Esse tipo de discurso não é inofensivo. Ele pode se transformar em violência concreta no futuro”, afirma.
LEIS AJUDAM, MAS NÃO RESOLVEM SOZINHAS
A recente aprovação no Senado do projeto que criminaliza a misoginia representa um avanço no enfrentamento à violência. A proposta prevê penas de até cinco anos. No entanto, segundo a especialista, a legislação tem efeito mais simbólico do que preventivo imediato.
“As leis são importantes para mostrar que esse comportamento não pode ser normalizado, mas a redução da violência depende de mudanças estruturais”, explica. Para a doutora, o caminho mais eficaz está na chamada prevenção primária, baseada na educação.
A proposta é formar cidadãos mais conscientes desde a infância, promovendo respeito e igualdade de gênero. Enquanto isso, fortalecer a rede de proteção e ampliar a divulgação dos canais de apoio seguem como medidas fundamentais para enfrentar a violência contra a mulher em Ponta Grossa.
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