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Economia

Tarifaço dos EUA já provoca 4 mil demissões no setor madeireiro, diz Abimci

Abimci aponta demissão de 4 mil trabalhadores após início da tarifa de 50% dos EUA sobre madeira processada; setor teme mais cortes nos próximos 60 dias.

Exportações de madeira processada caem após taxação de 50% dos EUA
Foto: Geraldo Bubniak/AEN
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Com mais de 30 dias do início da taxação de 50% aplicada pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros, setor madeireiro desponta como um dos mais afetados. Um levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) revelou que cerca de 4 mil trabalhadores foram demitidos desde o anúncio da medida, em 9 de julho.

De acordo com o estudo, realizado junto às empresas associadas, aproximadamente 5,5 mil empregados estão em férias coletivas e outros 1,1 mil em layoff. Caso o cenário tarifário não mude, outros 4,5 mil postos de trabalho podem ser perdidos nos próximos 60 dias.

Nos Campos Gerais, polo do setor no Paraná, diversas empresas sentiram os impactos da taxação. Em um dos casos mais emblemáticos, a indústria Braspine anunciou a demissão de 400 funcionários nas unidades de Jaguariaíva e Telêmaco Borba. 

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A situação levou prefeitos da Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG) a se reunirem com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, em Brasília para discutir soluções e providências em relação às medidas tarifárias. 

Segundo a Abimci, o setor começou a sentir os efeitos já em julho, com o cancelamento de contratos e embarques. Desde então, houve retração na assinatura de novos contratos devido à imprevisibilidade gerada pela taxação. Dados de agosto indicam queda entre 35% e 50% no volume exportado para os Estados Unidos de alguns dos principais produtos de madeira processada.

Apelo por negociação

Em nota, a Abimci destacou que vem atuando junto ao governo federal para buscar uma solução diplomática. “Ao longo dos últimos meses, a Abimci participou de reuniões com o MDIC, apresentou números e mostrou a importância, capilaridade e abrangência do setor de madeira processada. Em todas as agendas, solicitou às autoridades brasileiras que fosse aberto um canal de diálogo diplomático com o governo norte-americano e que as negociações fossem baseadas em argumentações técnicas e comerciais, isentas de componentes políticos ou ideológicos.”

A associação reforçou também a relevância econômica do setor e pediu mais negociação entre os governos brasileiro e norte-americano. “A manutenção das atuais tarifas agravará ainda mais a situação em toda a cadeia produtiva de madeira processada, resultando em mais demissões. No nosso entendimento, a única solução é a negociação direta entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos para uma adequação das tarifas e o restabelecimento do comércio bilateral.”

Segundo a Abimci, o setor madeireiro brasileiro exportou US$ 1,6 bilhão para os EUA em 2024, o que representa, em média, 50% da produção nacional. Em alguns segmentos, a dependência é total, com 100% das vendas destinadas exclusivamente ao mercado norte-americano.

Vinicius Sampaio
Autoria
Vinicius Sampaio
Sou formado em Jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa. Sou repórter do jornal Boca no Trombone, responsável por policial, esportes e política. Facilidade em comunicação visual, textual e verbal. Possuo conhecimento e um apreço especial por jornalismo de dados.
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