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Professoras de Castro se destacam como escritoras de literatura infantil

Natalya de Oliveira e Roseneia de Carvalho atuam na educação pública de Castro há anos e compartilham, além da dedicação ao magistério, o amor pela escrita. Cada uma com sua trajetória e seu universo literário.

Professoras de Castro se destacam como escritoras de literatura infantil
Foto: Divulgação
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Dar aula é a profissão. Escrever é a vocação. Para duas professoras da rede municipal de ensino de Castro, a sala de aula e a literatura caminham lado a lado e as histórias que nascem dessa combinação já chegaram às mãos de crianças dentro e fora do município.

Natalya de Oliveira e Roseneia de Carvalho atuam na educação pública de Castro há anos e compartilham, além da dedicação ao magistério, o amor pela escrita. Cada uma com sua trajetória e seu universo literário, as duas encontraram na convivência com as crianças a inspiração para criar histórias que encantam, ensinam e representam.

 

Fios de Dandara

Com 40 horas semanais como professora, Natalya de Oliveira reserva duas vezes por semana, a partir das 19h, para se dedicar à escrita. A rotina intensa não é novidade: ela escreve desde os 13 anos e, aos 19, foi descoberta pela Editora Stary, de Singapura, após um de seus textos circular na internet. De 2019 a 2023, trabalhou com exclusividade pela editora internacional. Hoje, sem vínculo exclusivo, ampliou o horizonte, e foi pela literatura infantil que encontrou seu próximo passo.

“Sendo professora e amando de todo o meu coração a minha profissão, eu sentia a necessidade de colocar essa paixão também na literatura”, conta Natalya.

O resultado é “Fios de Dandara”, livro infantil que acompanha Dandara, uma menina de sete anos criada em um ambiente onde sua beleza é celebrada — mas que estranha não encontrar essa mesma representatividade fora de casa: nas bonecas, nas lojas, na televisão. A história nasceu de memórias da própria autora, que revisitou a relação com seus cachos na infância para construir uma narrativa sobre pertencimento, identidade e autoestima.

“Ao escrever o livro, percebi que o cuidado com os cabelos cacheados pode ser uma experiência de afeto, autoestima e conexão com a própria identidade. Mais do que falar sobre cabelo, ‘fios de Dandara’ fala sobre pertencimento”, explica.

A obra faz parte da coletânea “Celebrando as Identidades”, projeto literário voltado à valorização da diversidade e da representatividade. O segundo volume de “Fios de Dandara” e o livro “Antes do Gol: Meninas Nasceram para Vencer!” estão em fase de produção.

Na sala de aula, o livro já virou sequência didática. Quando recebeu o primeiro exemplar aprovado pela editora, Natalya levou direto para suas turmas de 2º ano. Com bonecas de diferentes etnias disponibilizadas pela Secretaria Municipal de Educação, as crianças acompanhavam a história enquanto reproduziam os gestos da personagem. O impacto foi além da atividade pedagógica.

“Após a contação de histórias, ouvi de um aluno negro: ‘Professora, eu sou negro igual você!’ com o sentimento de felicidade e descoberta de si mesmo. Os alunos passaram a se representar nos desenhos com o próprio tom de pele. Foram momentos em que percebi que ‘fios de Dandara’ foi a melhor contribuição que já dei para a minha realidade”, relata.

O livro também contribui para o trabalho com a Lei 10.639/03, que estabelece o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana nas escolas.

Agora, Natalya tem uma meta concreta: vender 200 exemplares para garantir presença na Bienal do Livro pela editora. Com 50 vendidos e o número crescendo, ela enxerga a conquista como algo maior do que um marco pessoal.

“Se esse momento acontecer, não será apenas a Natalya que estará lá. Estarão comigo as minhas raízes, os meus ancestrais, a minha história e a história de tantas meninas pretas que cresceram sem ver sua beleza celebrada”, afirma.

Os exemplares de “Fios de Dandara” estão disponíveis diretamente com a autora ou pelos sites da Livraria Uiclap e da Amazon.

O Presente do Zé Jacaré

Roseneia de Carvalho é professora há 21 anos e atua atualmente no Cmei Nosso Lar, na turma de Pré I. A relação com a escrita começou cedo: ainda nas séries iniciais, por volta dos nove, dez anos, ela se deparou com “A Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, na cartilha escolar, e foi o suficiente para despertar uma paixão que nunca passou.

“A partir daquele poema, eu me encantei com a literatura, com a escrita. E isso ficou”, lembra. Aos 14 anos, começou a escrever poesias. Com o tempo, as histórias infantis vieram naturalmente, alimentadas pelo dia a dia em sala de aula.

O personagem Zé Jacaré nasceu de uma aula de imitação. Para animar o início das atividades, Roseneia criava dinâmicas e músicas com as crianças. Em um desses momentos, escolheu imitar um jacaré, se arrastou pelo chão, fez toda a encenação, e as crianças demoraram para adivinhar. Dali surgiu o personagem, junto a uma música sobre alimentação saudável.

“Eu nunca pensei que fosse virar um livro”, admite Roseneia com simplicidade.

Mas virou. Lançado em maio de 2025, “O Presente do Zé Jacaré” conta a história de um presente especial que o personagem ganha do pai: uma aquarela. Ao descobrir que misturando cores nascem outras, Zé Jacaré sai criando e deixando seu mundo cada vez mais colorido.

“É uma história muito fofa, onde a criança aprende uma mágica muito legal misturando as cores e descobre que pode criar coisas incríveis”, descreve a autora.

Quando levou o livro para a sala de aula, o momento foi de surpresa e emoção. Ao começar a falar sobre a autora, as crianças logo reconheceram: era a professora delas. “Um falava para o outro: ‘É a prof!’”, conta Roseneia, sorrindo.

Para ela, é exatamente essa essência das crianças que alimenta tanto a docência quanto a escrita. “A inocência, o jeito delas de ver as coisas diferente, a alegria que contagia, é a essência do amor”, define.

A expectativa com o livro é simples e direta: “Que a criança sinta vontade de ser como o personagem, que aguce sua imaginação, que se divirta aprendendo.”

Leia também: Paróquia São João Batista em Arapoti promove tradicional festa de 18 a 21 de junho

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