PF desmantela esquema bilionário dos combustíveis
Operações Quasar e Tank bloqueiam mais de R$ 2 bilhões e miram crimes em São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, com destaque para Curitiba

A Polícia Federal, com apoio da Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira (28) as operações Quasar e Tank, que atingem esquemas bilionários de lavagem de dinheiro e fraudes envolvendo a cadeia produtiva de combustíveis em diversos estados do país. As investigações revelam a atuação de organizações criminosas sofisticadas, com indícios de conexão com facções, uso de fundos de investimento e centenas de empresas para ocultação de patrimônio ilícito.
Somadas, as ações da PF resultaram em bloqueios superiores a R$ 2 bilhões em bens e valores, além do cumprimento de mais de 60 mandados judiciais, incluindo prisões e buscas.
Operação Quasar: fundos de investimento e blindagem patrimonial
A Operação Quasar foi deflagrada em São Paulo, com 12 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas, Ribeirão Preto e na capital paulista. Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado operava um esquema de lavagem de dinheiro utilizando fundos de investimento fraudulentos para esconder o real patrimônio e dificultar o rastreamento da origem dos recursos.
Empresas do mesmo grupo simulavam a compra e venda de imóveis, títulos e outros ativos sem finalidade econômica real. A estratégia criava uma “teia complexa” para blindar o patrimônio e ocultar os beneficiários finais.
A Justiça Federal determinou o sequestro de fundos de investimento, bloqueio de bens e valores até R$ 1,2 bilhão e afastamento de sigilos bancário e fiscal de investigados.
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Operação Tank: rede criminosa movimentou R$ 23 bilhões no Paraná
No Paraná, a Operação Tank mira uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no estado. A organização criminosa atuava desde 2019 e teria lavado ao menos R$ 600 milhões, movimentando mais de R$ 23 bilhões por meio de centenas de empresas, incluindo postos de combustíveis, distribuidoras, holdings e até instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central.
Entre as fraudes constatadas estão depósitos fracionados acima de R$ 594 milhões, uso de laranjas, transações cruzadas e repasses sem nota fiscal. fraudes contábeis e simulações de compras e serviços, adulteração de gasolina e uso da chamada “bomba baixa”, em que o volume abastecido é menor do que o informado.
Curitiba concentra parte relevante das investigações, com 46 postos de combustíveis envolvidos nas práticas ilegais.
Foram expedidos 14 mandados de prisão, 42 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens de 41 pessoas físicas e 255 jurídicas, totalizando mais de R$ 1 bilhão.
As ações ocorreram nos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.
Impacto nacional e combate ao crime financeiro
As operações desta quinta reforçam a atuação da Polícia Federal no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro de alta complexidade. O uso do setor de combustíveis como canal para esquemas ilícitos já vinha sendo monitorado por órgãos federais, em razão da grande circulação de recursos e baixa rastreabilidade em algumas transações.
Segundo a PF, os dados colhidos nas operações também apontam vínculos com facções criminosas, o que amplia o alcance das investigações para outras frentes.
*Com informações da Agência Brasil























