Mulher que reza, por Renata Regis Florisbelo
Coluna 200 de Renata Regis Florisbelo retrata a força e a ternura de uma mulher que reza todos os dias por todos — até por quem esquece de rezar.

Saio de casa cedo. Logo na esquina lá vem ela, franzina, jamais frágil, delicada, jamais temerária, discreta, jamais imperceptível. Altiva. Nas mãos um livro pequeno. A cada manhã ela se põe em orações em prol de tudo e de todos, das mais excelsas causas ao simples sofrimento alheio.
Ela reza, todas as manhãs, religiosamente, reza. O fato de suas orações seguirem com a firmeza naquela dedicação já me apraz, me faz pensar que estou, também, sob a égide destas sublimes orações, que alguém como ela rezará por todos nós que esquecemos de rezar.
Talvez não sejamos tão magnânimos em oferecer tal reza para abarcar mesmo todos. Talvez rezemos, mas venhamos a excluir das orações aqueles não cobertos por nosso afeto. Quando olho para ela, retornando das rezas, penso que naquela figura cabem todas as intenções de reza do mundo e meu mundo torna-se pequeno para a dimensão da oração dela.
Uma única mulher que reza.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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