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Política

MEC implementa proibição de cursos online em graduações críticas

A rápida expansão descontrolada dos cursos EAD entre 2012 e 2022 levou à necessidade dessa intervenção regulatória

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O Ministério da Educação (MEC) anunciou uma nova diretriz que proíbe a oferta de cursos completamente online nas áreas de Direito, Medicina, Odontologia, Enfermagem e Psicologia. A medida, formalizada nesta segunda-feira (19), é parte da Nova Política de Educação à Distância e surge após um ano de intensos debates e adiamentos.

Esta decisão representa uma mudança significativa no cenário do ensino superior brasileiro, impactando milhares de estudantes que já estão matriculados ou que pretendem iniciar suas graduações em formato digital. De agora em diante, as formações nessas cinco disciplinas deverão ser realizadas exclusivamente de forma presencial, incluindo atividades práticas e avaliações no formato tradicional.

A proibição ocorre em um contexto onde os cursos EAD vêm se expandindo rapidamente. Dados do MEC indicam que, em 2022, as matrículas em cursos online superaram pela primeira vez as dos cursos presenciais no Brasil. Entretanto, essa rápida expansão sem regulamentação clara levantou preocupações sobre a qualidade do ensino, motivando a criação da nova norma.

Cursos Atingidos pela Proibição

A nova norma do MEC se aplica aos seguintes cursos:

  • Direito
  • Medicina
  • Odontologia
  • Enfermagem
  • Psicologia

Essas graduações não poderão ser oferecidas em formato EAD, enquanto outras licenciaturas e áreas da saúde poderão ter uma parte da carga horária em ensino à distância, mas sob novas regulamentações mais rigorosas.

Prazo para Adaptação e Alunos Atuais

Ainda que a mudança tenha gerado grande repercussão, a implementação não será imediata. As instituições terão um prazo de até dois anos para se adequar às novas diretrizes. Importante ressaltar que os alunos já matriculados em cursos EAD autorizados poderão concluir seus estudos nesse mesmo formato sem prejuízo. Assim, um estudante atualmente matriculado em Psicologia à distância poderá terminar seu curso antes que novas turmas sejam formadas sob a nova regulamentação.

Motivos da Proibição

A decisão do MEC é uma resposta a críticas direcionadas ao modelo EAD para disciplinas que demandam considerável prática e interação direta. Profissões nas áreas de saúde e Direito exigem habilidades que não podem ser adequadamente desenvolvidas por meio do ensino totalmente online. Além disso, houve preocupação com instituições que oferecem esses cursos sem a infraestrutura necessária para garantir uma formação adequada.

A pressão de conselhos profissionais e entidades representativas também influenciou a decisão do MEC, com muitos defendendo o fim da modalidade EAD nas profissões citadas. A nova regulamentação visa restaurar a credibilidade do ensino superior privado no Brasil, que atualmente detém mais de 75% das matrículas.

Novas Regras para Atividades Síncronas e Avaliações

Com as novas regras, algumas disciplinas poderão incluir aulas síncronas mediadas online, limitadas a 70 alunos por mediador e com controle de presença obrigatório. Essas aulas contarão como EAD, mas não serão consideradas atividades presenciais. Além disso, cada disciplina à distância deverá incluir pelo menos uma prova presencial com peso significativo na nota final.

Infraestrutura dos Polos de Apoio Presencial

Os polos de apoio presencial precisarão atender a critérios mais rigorosos para assegurar uma experiência educacional adequada. Mediadores pedagógicos serão obrigatórios e devem ter formação na área do curso, além de estar registrados no Censo da Educação Superior. Por outro lado, tutores estarão restritos a funções administrativas, sem atuação direta no ensino.

A rápida expansão descontrolada dos cursos EAD entre 2012 e 2022 levou à necessidade dessa intervenção regulatória. Durante esse período, o número de professores formados via EAD dobrou nas instituições privadas, mas indicadores como os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) mostraram queda significativa no desempenho dos alunos desses cursos.
Diante desse cenário preocupante, o MEC decidiu proibir a oferta integralmente online para essas áreas críticas visando preservar a qualidade educacional no país.

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Boca no Trombone
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