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Política

Lula terá Congresso com maioria da oposição em 4º mandato

Reeleito para quarto mandato, Lula terá um Congresso com maioria da oposição a partir de 2027. O crescimento do PL e o apoio de partidos de centro a Flávio Bolsonaro devem dificultar a governabilidade. O presidente precisará negociar para aprovar projetos como a PEC da passagem gratuita.

Lula terá Congresso com maioria da oposição em 4º mandato
O presidente Lula em frente ao Congresso Nacional, durante a cerimônia de posse de seu terceiro mandato em 2023 — Foto: Marina Ramos/Agência Câmara
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Em virada histórica, Lula vence Flávio Bolsonaro e será presidente pela 4ª vez. O petista, no entanto, encontrará um Congresso muito mais desafiador a partir de 2027, com o crescimento do PL, partido do candidato derrotado, impondo dificuldades para a governabilidade.

O fato de partidos de centro terem apoiado Flávio no segundo turno, depois do candidato bolsonarista sair do primeiro turno à frente de Lula, também pode dificultar o avanço de propostas da chapa vencedora nas eleições presidenciais.

Oposição forte no Congresso

PP, União Brasil, Republicanos, Podemos e Novo declararam apoio a Flávio. Juntos, eles somam 245 deputados e 51 senadores. Parte do MDB também apoiou o político bolsonarista, apesar de políticos do Norte e Nordeste ficarem ao lado de Lula.

Entre os temas para os quais Lula deve buscar apoio está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para passagem gratuita no transporte público. Promessa da reta final de campanha, a isenção só vai avançar se Lula conseguir apoio do Congresso.

Articulações para manter o poder de pauta

Nos últimos meses, o presidente conseguiu se reaproximar dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Com isso, o presidente obteve uma série de vitórias legislativas, como a aprovação do fim da taxa das blusinhas e do perdão da dívida dos MEIs (Microempreendedores Individuais).

Em 2027, tanto Motta quanto Alcolumbre poderão disputar a reeleição como chefes de suas respectivas Casas Legislativas. O objetivo é manter o poder de pauta, ou seja, de definir o que é ou não votado no Congresso e deter as ambições do PL, que já indicou querer o controle tanto da Câmara como do Senado.

Disputa antecipada pelo comando do Congresso

As eleições para presidência da Câmara e do Senado serão realizadas em fevereiro de 2027, no início da nova Legislatura, quando os deputados e senadores eleitos em 2026 tomarão posse. Apesar disso, as articulações sobre o tema já começaram em Brasília.

A disputa foi adiantada pelo próprio PL. Ainda durante a campanha, o partido de Flávio Bolsonaro falava em eleger um grande número de parlamentares para garantir o comando do Congresso. As declarações, no entanto, não foram bem recebidas pelo Centrão, que perdeu cadeiras no Congresso exatamente para o PL.

Motta busca apoio contra o PL

Assim, Motta e Alcolumbre já articulam suas permanências nos respectivos cargos. Na Câmara, Motta buscou apoio de partidos de centro e da esquerda contra os 121 deputados do PL – a maior bancada de um partido desde a Constituinte.

O atual presidente da Casa já conseguiu o apoio de 10 partidos do Centrão, três da esquerda (PDT, PSB e PV) e o indicativo de que o PT se juntará a ele. Com a manobra, o PL corre o risco ainda de ficar sem cargos-chave na Câmara, como o comando da Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante dos deputados, além de espaço na mesa em uma eventual vitória de Motta. O partido de Flávio terá, assim, que negociar com o Centrão.

Senado é prioridade para o PL

Já no Senado, o cenário é mais complexo. A Casa é tida como prioritária para o PL, principalmente por serem os senadores os responsáveis pela abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Mas não basta ter votos para retirar um ministro se o processo não é nem aberto – poder que, pelo regimento, é do presidente do Senado.

Mas senadores já indicaram que o PL foi rápido demais em indicar essa intenção e, na avaliação dos parlamentares, saiu do primeiro turno achando que a disputa pelo comando do Congresso já estava ganha.

Alcolumbre articula reeleição

Como mostrou o g1, Alcolumbre já articula sua reeleição para se manter no cargo de presidente do Senado e do Congresso Nacional – ou seja, chefe de Poder. A principal estratégia de Alcolumbre é rachar os votos no próprio PL. Apesar de contar com uma bancada de quase 30 parlamentares, alguns desses senadores fazem parte do grupo político de Alcolumbre, como o senador Eduardo Gomes (PL-TO), vice-presidente do Senado.

Com um Congresso fragmentado e uma oposição fortalecida, Lula terá que costurar acordos e ceder em pautas para garantir a aprovação de seus projetos. O desenrolar das negociações nos próximos meses será decisivo para o sucesso do quarto mandato do petista.

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Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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