Inflação prevista para 2026 sobe para 5,09% e supera teto definido pelo Banco Central
Na última reunião, o colegiado reduziu os juros em 0,25 ponto percentual. Antes disso, a Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, maior patamar em quase duas décadas

Alta no preço dos combustíveis e alimentos influencia nova revisão do IPCA; projeção ultrapassa o teto da meta de inflação
A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do Brasil voltou a subir. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo Banco Central (BC), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,04% para 5,09% em 2026.
Essa foi a 12ª semana consecutiva de aumento na projeção do indicador, considerado a referência oficial da inflação no país. A nova estimativa fica acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Entre os principais fatores que pressionam os preços estão os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os combustíveis, além do custo dos alimentos, que segue influenciando o orçamento das famílias.
Em abril, a inflação oficial ficou em 0,67%, puxada principalmente pela alimentação. No acumulado de 12 meses, o IPCA chegou a 4,39%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Juros seguem em patamar elevado
Para tentar controlar a inflação, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a taxa básica de juros, a Selic. Atualmente, a taxa está em 14,5% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Na última reunião, o colegiado reduziu os juros em 0,25 ponto percentual. Antes disso, a Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, maior patamar em quase duas décadas.
Apesar da redução recente, o Banco Central avalia os impactos do cenário internacional, especialmente a pressão sobre combustíveis e alimentos causada pelos conflitos no Oriente Médio.
O próximo encontro do Copom para definir os rumos da taxa Selic está marcado para os dias 16 e 17 de junho.
Pelo Boletim Focus, os analistas mantiveram a previsão de que a Selic encerre 2026 em 13,25% ao ano. Para os próximos anos, a expectativa é de queda gradual: 11,25% em 2027 e 10% ao ano em 2028 e 2029.
PIB tem leve melhora na projeção
A expectativa para o crescimento da economia brasileira teve pequena alteração positiva. O mercado financeiro elevou a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,89% para 1,9% neste ano.
Para 2027, a projeção permanece em 1,7%. Já para 2028 e 2029, a expectativa dos analistas é de crescimento de 2% ao ano.
Segundo o IBGE, a economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em comparação aos últimos três meses de 2025. No acumulado de 12 meses, o avanço registrado foi de 2%.
Dólar deve termnar o ano em R$ 5,16
O mercado também manteve as projeções para o câmbio. Conforme o Boletim Focus, a expectativa é que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,16.
Para o final de 2027, os analistas projetam a moeda norte-americana em R$ 5,25. (As informações são da Agência Brasil)
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