QUARTA-FEIRA · 01 JUL 2026Ponta Grossa 18°C 🌤️
Publicidade
Ponta Grossa

Fechamento do albergue municipal gera debate entre usuários e prefeitura em PG

O fechamento do albergue municipal para obras de revitalização, previsto para começar em 31 de dezembro de 2025, abriu uma discussão intensa entre pessoas em situação de rua, entidades de direitos humanos e a administração municipal, em Ponta Grossa. A decisão foi detalhada pela Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa (FASPG), que reforçou que […]

albergue municipal pg
Foto: Divulgação/PMPG
Publicidade

O fechamento do albergue municipal para obras de revitalização, previsto para começar em 31 de dezembro de 2025, abriu uma discussão intensa entre pessoas em situação de rua, entidades de direitos humanos e a administração municipal, em Ponta Grossa. A decisão foi detalhada pela Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa (FASPG), que reforçou que o fechamento será temporário e que novas vagas já foram estruturadas para evitar desassistência. Ainda assim, o anúncio gerou apreensão entre usuários e motivou a divulgação de uma carta pública.

O documento, enviado pelo Centro Estadual de Defesa dos Direitos Humanos das Populações em Situação de Rua e Catadora de Materiais Recicláveis, expressa preocupação com o curto prazo para a transição e com o impacto direto sobre a rotina de quem depende do acolhimento noturno. No texto, o grupo afirma sua existência como de pessoas, com histórias e trajetórias, e destaca que o albergue não é apenas um serviço, mas a única alternativa concreta de pernoite para muitos.

Confira as últimas notícias sobre Ponta Grossa (Clique aqui).

A carta afirma que o fechamento do albergue obriga dezenas de pessoas a retornar às ruas, onde enfrentam frio, insegurança, violências e expulsões constantes de espaços públicos. O grupo relata situações de chutes, uso de spray de pimenta e outras formas de opressão, além dos desafios de viver na rua sem acesso à higiene, estrutura mínima ou proteção.

Em resposta, a FASPG informou que o fechamento do Albergue Municipal de Ponta Grossa será acompanhado da abertura de 54 vagas extras em instituições parceiras: o Ministério Melhor Viver e a Casa e Comunidade Deus Pai. A Prefeitura ressaltou ainda que a Casa da Acolhida continuará ofertando suas 70 vagas já existentes. Segundo a nota, a realocação foi planejada antecipadamente para garantir que “nenhuma pessoa em situação de rua fique sem acolhimento”.

O município afirma que o Centro POP fará o encaminhamento dos usuários durante o período de obras e que a revitalização visa ampliar segurança, conforto e qualidade do espaço, especialmente para períodos de maior demanda, como a Operação Inverno. A gestão municipal reafirmou seu compromisso com a proteção social e o atendimento digno, enquanto representantes das pessoas em situação de rua pedem mais diálogo e tempo para adaptação.

Notas oficiais

Confira as notas do Centro Estadual de Defesa dos Direitos Humanos das Populações em Situação de Rua e Catadora de Materiais Recicláveis e da Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa na íntegra aqui:

CEDDH PR:

Exma. Sra. Prefeita,

Nós, pessoas em situação de rua do município de Ponta Grossa – PR, dirigimo-nos respeitosamente à senhora para afirmar, antes de tudo, a nossa existência enquanto pessoas. Pessoas que têm história, trajetórias de vida, afetos, desejos e sonhos.

Entre eles, o sonho fundamental de ter uma moradia e um cotidiano diferente daquele imposto pelas ruas — um cotidiano com segurança, possibilidade de planejar o futuro, constituir vínculos e viver com dignidade.

No dia 16 de dezembro de 2025, fomos informados de que o Albergue Municipal Maria Ramos Wosgrau será fechado “temporariamente” a partir do dia 30 de dezembro de 2025. Isso nos deixa com menos de quinze dias para lidar com uma decisão que impacta diretamente nossa sobrevivência. Para muitos de nós, o albergue não é apenas um serviço: é a única possibilidade concreta de acolhimento noturno, utilizada há meses ou até há mais de três anos.

A população em situação de rua é diversa. Há pessoas que estão há pouco tempo nas ruas e outras que convivem com essa realidade há anos; pessoas com vínculos familiares fragilizados ou rompidos; pessoas que, por diferentes motivos, não encontraram outra alternativa senão utilizar a rua como moradia. Com o fechamento do albergue, seremos obrigados a retornar às calçadas, marquises e espaços improvisados para passar a noite — e dizemos “passar”, porque dormir, em muitos casos, é impossível diante da insegurança constante, das violências, do frio, da chuva e das mudanças climáticas.

Quando não conseguimos acessar o acolhimento, seja por falta de vagas ou por outras condições, somos frequentemente expulsos dos espaços públicos de forma violenta, com chutes, uso de spray de pimenta e outras formas de opressão. Diante desse cenário, perguntamos: como será agora?

Passar a noite nas ruas intensifica situações de violência, aumenta o uso de substâncias psicoativas como estratégia de sobrevivência, agrava danos à saúde física e mental e nos priva de condições básicas como acesso a banheiros, higiene pessoal e organização mínima da vida cotidiana.

FASPG:

A Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa (FASPG), por meio do Departamento de Proteção Social Especial, informa que, a partir do dia 31 de dezembro, o Albergue Municipal receberá obras de revitalização e adequação da estrutura física. A intervenção tem como objetivo promover melhorias no espaço, garantindo mais segurança, conforto e qualidade no atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade social, especialmente para a Operação Inverno – período em que há significativo aumento da demanda por acolhimento.

Por conta da interrupção temporária do serviço, a FASPG já alinhou mais 54 vagas destinadas ao público do Albergue para o Ministério Melhor Viver e para a Casa e Comunidade Deus Pai, que fazem parte da rede de acolhimento do município. Ainda há a Casa da Acolhida, que também atende pessoas em situação de rua, com 70 vagas. Essa estruturação antecipada pela Fundação de Assistência Social garante que as pessoas em situação de rua não ficarão desassistidas em Ponta Grossa. O Centro POP será responsável por encaminhar as pessoas em vulnerabilidade ao acolhimento institucional durante este período.

Assim, a rede de acolhimento do município será acionada para suprir integralmente as vagas que se fizerem necessárias, assegurando a continuidade do atendimento e da proteção social. A Fundação de Assistência Social reforça seu compromisso com a dignidade, o cuidado e a proteção das pessoas em situação de rua.

Yuri Silva
Autoria
Yuri Silva
Sou formado em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Sou jornalista do portal BnT. Possuo aptidão em comunicação textual, verbal e afins. Possuo um apreço especial pelo jornalismo esportivo. Faço parte da equipe do BnT Esporte Clube.
Ver todas as matérias →
Publicidade
Publicidade
Notícias relacionadas
Web Stories
Todas →
VídeosMais vídeos para você curtir
Ver no YouTube →