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Doméstica de 62 anos é resgatada após trabalhar desde criança para mesma família

Ela não constituiu família, tinha contato limitado com parentes e não participava de atividades de lazer

Doméstica de 62 anos é resgatada após trabalhar desde criança para mesma família
Ilustração
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Uma trabalhadora doméstica de 62 anos foi resgatada de uma situação análoga à escravidão em Bragança Paulista (SP). A operação foi realizada no dia 10 de junho pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT).

De acordo com a fiscalização, a mulher trabalhava para a mesma família desde os 12 anos de idade e permaneceu por 49 anos em uma rotina marcada por jornada exaustiva, isolamento social e restrição de direitos trabalhistas.

A ação ocorreu após denúncias registradas no Sistema Ipê e procedimento preparatório conduzido pela Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região. A entrada dos agentes na residência foi autorizada pela Justiça.

TRABALHO DESDE A INFÂNCIA

Segundo os auditores-fiscais, a trabalhadora foi retirada da escola ainda criança e permaneceu analfabeta. Desde 1977, ela realizava serviços domésticos diariamente, sem folgas semanais, férias ou períodos regulares de descanso.

Apesar de ter tido a carteira assinada durante parte do período e recebido valores como salário, a fiscalização apontou que ela não tinha autonomia sobre os próprios rendimentos. Após se aposentar, em 2015, deixou de receber pagamentos, mas continuou realizando as atividades domésticas.

Nos últimos anos, a mulher passou a cuidar integralmente da empregadora, que era idosa e estava acamada. Conforme a apuração, ela permanecia disponível durante o dia e a noite, situação que resultava em privação de descanso e impactos na saúde física e mental.

ISOLAMENTO SOCIAL

O relatório da fiscalização apontou que a trabalhadora passou quase cinco décadas com pouca convivência social e familiar. Ela não constituiu família, tinha contato limitado com parentes e não participava de atividades de lazer.

Nas poucas visitas realizadas a familiares, segundo os auditores, ela era acompanhada pela empregadora e permanecia por períodos curtos. Mesmo durante eventos familiares da casa onde trabalhava, continuava exercendo funções domésticas.

Para os fiscais, além das violações trabalhistas, o caso envolvia perda de autonomia pessoal e mecanismos de dependência psicológica que contribuíram para manter a trabalhadora na situação de exploração.

INDENIZAÇÃO PASSA DE R$ 1,7 MILHÃO

Após a caracterização das condições análogas à escravidão, a Inspeção do Trabalho determinou a retirada imediata da trabalhadora do local.

Também foi elaborado cálculo de verbas rescisórias no valor de R$ 1.756.545,16, incluindo salários, férias, 13º salário e indenização por dano moral individual de R$ 500 mil.

O pagamento, previsto inicialmente para 11 de junho, não foi realizado. O MTE e o MPT seguem em tratativas com os representantes legais da família para a quitação dos valores.

A Auditoria Fiscal do Trabalho informou ainda que familiares que tenham se beneficiado dos serviços e tinham conhecimento da situação também podem ser responsabilizados.

Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, plataforma do Ministério do Trabalho e Emprego em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). (As informações são da Agência Gov)

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Luis Carlos Pimentel
Autoria
Luis Carlos Pimentel
Formado em Técnica Contábil, estudou Jornalismo na Faculdade Secal. Há 40 anos trabalha em meios de comunicação social. Trabalhou em emissoras de rádio, jornais impressos e portais. Registro Mtb/PR - 4451
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