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Política

Deltan Dallagnol está inelegível? Dúvidas jurídicas e embate com a imprensa causam tensão no PR

Deltan Dallagnol inelegível? TRE-PR libera pré-candidatura ao Senado, mas caso ainda gera dúvidas jurídicas e embates com a imprensa no Paraná.

Deltan Dallagnol está inelegível? Dúvidas jurídicas e embate com a imprensa causam tensão no PR
AEN
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A corrida para o Senado no Paraná em 2026 ganha contornos de forte tensão jurídica e política. De um lado, decisões recentes do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) asseguram a pré-candidatura de Deltan Dallagnol (Novo); de outro, surge um crescente mal-estar com profissionais da comunicação e questionamentos sobre a segurança jurídica de sua participação no pleito.

O embate jurídico

O movimento mais recente da Justiça Eleitoral envolveu a condenação do deputado Zeca Dirceu (PT) ao pagamento de multa de R$ 15 mil por propaganda negativa, após afirmar que Dallagnol estaria inelegível. A juíza Adriana de Lourdes Simette, em decisão de abril de 2026, afirmou que não consta código de inelegibilidade no cadastro do pré-candidato, determinando a remoção de publicações que criavam uma narrativa sobre sua condição eleitoral.

Contudo, a estratégia jurídica do ex-procurador tem alcançado também profissionais da comunicação, gerando debates sobre os limites entre o combate à desinformação e a liberdade de imprensa.

Conflito com a imprensa e dúvidas na eleição

Apesar da justificativa técnica, jornalistas independentes da região relatam que o uso de “canetadas em massa” para remover conteúdos tem intimidado o trabalho da imprensa. Sob condição de sigilo, uma profissional que enfrentou sanções judiciais aponta que a estratégia tenta apagar registros históricos.

“A matéria citava a cassação de 2023, que é um fato público e verdadeiro. Tentar proibir que se mencione o passado político ou que se analise a Lei de Inelegibilidades é uma forma de censura que o próprio Deltan criticava anteriormente”, afirmou a jornalista.

As principais dúvidas que cercam a candidatura giram em torno da interpretação da Lei da Ficha Limpa. Enquanto o Partido Novo e o TRE-PR apontam o cadastro limpo como prova de aptidão, críticos argumentam que os efeitos da decisão do TSE em 2023 ainda podem ser objeto de novos pedidos de impugnação quando o registro oficial da candidatura for solicitado.

O que diz o Partido Novo

A assessoria do Partido Novo sustenta que as ações judiciais são necessárias para corrigir equívocos técnicos disseminados por veículos de comunicação. Segundo a legenda, há uma diferença fundamental entre o que ocorreu em 2023 e a atual situação do pré-candidato:

“O TSE não cassou o registro, ele indeferiu o registro. E aí o que acabou acontecendo: como inelegibilidade é um direito fundamental, ele precisa ser declarado. Tem que ter uma decisão que argue que se tem inelegibilidade. Não houve isso, tanto que o TRE Paraná, nessas decisões, fala isso, que não tem nenhuma anotação de inelegibilidade. Logo, quando se diz que o Deltan está inelegível, isso é uma desinformação. Por isso, ele [o Judiciário] determinou a retirada de vários conteúdos.”, pontuaram

Deltan está inelegivel?

Os pontos sutentados pela defesa do polítco, argumentam que ele NÃO está inelegível (Situação Atual) e são eles:

  • Cadastro Eleitoral Limpo: Segundo decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) de abril de 2026, não consta nenhum código de inelegibilidade no registro de Dallagnol.

  • Ausência de Nova Condenação: A assessoria do Partido Novo argumenta que a inelegibilidade é um direito fundamental e, para ser aplicada, precisaria de uma nova decisão judicial específica que a declare, o que não ocorreu até o momento.

  • Diferença entre Indeferimento e Cassação: A defesa sustenta que o TSE apenas indeferiu o registro de 2022 e que isso não gera uma proibição automática para pleitos futuros, como o de 2026.

Já os argumentos de que ele PODERIA estar inelegível (Risco Jurídico) são:

  • Efeito da Lei da Ficha Limpa: O argumento contrário baseia-se na decisão do TSE de maio de 2023, que cassou o mandato de deputado de Deltan. Pela Lei Complementar nº 64/1990, quem perde o mandato por irregularidades ou renuncia para evitar processos disciplinares pode ficar inelegível por 8 anos.

  • Momento do Registro: Especialistas apontam que a “elegibilidade” atual no cadastro é provisória. A Justiça Eleitoral só analisa formalmente se um candidato pode ou não concorrer no momento em que ele solicita o registro da candidatura para a eleição em curso (neste caso, em 2026).

Sendo assim, juridicamente, Deltan está elegível para a Justiça Eleitoral do Paraná. No entanto, sua pré-candidatura em 2026 ainda enfrenta incerteza jurídica, pois poderá ser alvo de novos pedidos de impugnação baseados na cassação sofrida em 2023.

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Nilson de Paula
Autoria
Nilson de Paula
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), mestre em Ciências Sociais Aplicadas pela mesma instituição e produtor cultural. Atua como pesquisador das rotinas e das produções jornalísticas, com foco em relações étnico-raciais, história e política, articulando comunicação, análise social e práticas culturais em sua trajetória profissional e acadêmica.
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