Coletânea “Rap Gerais” valoriza artistas de Ponta Grossa
Projeto financiado pela Lei Aldir Blanc reúne dez artistas do rap de Ponta Grossa e promove a cultura periférica em eventos e plataformas digitais da cidade.

O movimento hip-hop de Ponta Grossa está em festa com o lançamento da coletânea “Rap Gerais”, um projeto que reúne dez grupos e artistas do rap local. A iniciativa foi viabilizada por meio de recursos da Lei Aldir Blanc, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Os responsáveis pela produção são os produtores culturais Greg e Guilherme, que destacaram, durante entrevista em estúdio, a importância do projeto como ferramenta de inclusão social e valorização da cultura periférica. “Esse trabalho traz a essência dos bairros, das vilas, e entrega isso não só para o centro da cidade, mas para todo o Brasil. É uma forma de dar visibilidade a quem muitas vezes está à margem”, afirma Greg, que tem mais de 30 anos de trajetória no movimento hip-hop ponta-grossense.
O projeto selecionou os artistas por meio de inscrição online aberta, e contou, inclusive, com a participação da rapper Lina, que garantiu sua vaga por meio do processo seletivo. As apresentações aconteceram em dois locais estratégicos da periferia da cidade, atendendo às exigências do edital. A primeira foi no Céu das Artes, na região da Coronel Cláudio, e a segunda na Associação Caminho Certo, no bairro Ouro Verde, com apoio da equipe da associação e do vereador Careca.
“Foi uma oportunidade incrível. Cada artista pôde apresentar uma música, e isso gerou não só visibilidade, mas também material profissional para que eles possam seguir carreira”, ressalta Guilherme. As gravações estão disponíveis nas principais plataformas de streaming, como Spotify e Deezer, e também serão divulgadas gradativamente em um canal do YouTube criado especialmente para o projeto.
Entre os artistas participantes estão MC Celina, Mano Luan, Cássio RE, JJ Rapper, MC Jinx, Guizinho Rap, Léo Lima, RDS, Léo Souza e MC Escortejador. Todos receberam produção gratuita, incluindo gravações e materiais audiovisuais, possibilitando que possam utilizar os conteúdos para shows, divulgação e desenvolvimento profissional.
Para GAG, a coletânea representa um avanço significativo na cena cultural de Ponta Grossa. “Essa é a terceira coletânea feita na cidade, mas as anteriores foram produzidas de forma bem precária, sem recursos. Agora conseguimos realizar com estrutura, mostrando que é possível acreditar nos artistas e fomentar a cultura local”, pontua.
O projeto também marca uma nova fase na vida profissional de GAG, que oficializou recentemente sua produtora, agora registrada como Fábrica Produções, considerada uma das mais antigas em atividade na cidade.
Tanto Greg quanto Guilherme reforçam que o hip-hop vai muito além da música. É uma manifestação cultural que inclui também o grafite, o break, o trabalho dos DJs e uma forte atuação social. “É uma cultura que transforma, que resgata, que dá oportunidade para quem muitas vezes não sabe nem por onde começar. E projetos como esse mostram que é possível construir uma carreira, gerar renda e levar arte para muito mais pessoas”, destaca Guilherme.
Ao final da entrevista, os produtores deixaram um recado direto para quem sonha em viver da arte: “Acredite no seu sonho, não desista. Seja profissional, chegue no horário, trate bem as pessoas e faça o seu trabalho com dignidade. As portas vão se abrir.”
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