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1989: A eleição que eu vivi de perto, por John Elvis Ribas Ramalho

John Elvis Ribas Ramalho relembra a eleição presidencial de 1989, os bastidores da Rádio Difusora e a histórica votação em Ponta Grossa.

1989: A eleição que eu vivi de perto, por John Elvis Ribas Ramalho
1989: A eleição que eu vivi de perto, por John Elvis Ribas Ramalho
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Em 1989, depois de um longo período sem escolher diretamente o presidente da República, o povo brasileiro voltou às urnas para decidir quem comandaria o país. E não foi uma eleição qualquer! Foi histórica, movimentada e cheia de personagens que marcaram a política brasileira.

Pelo que me lembro, eram 21 candidatos ou até mais. Afinal, até o apresentador Silvio Santos entrou nessa história por um breve período, embora sua candidatura não tenha chegado às urnas.

Entre os principais nomes estavam Ulysses Guimarães, Mário Covas, Paulo Maluf, Leonel Brizola, Luiz Inácio Lula da Silva, Roberto Freire, Guilherme Afif Domingos e Fernando Collor de Mello.

Mas hoje eu não quero falar apenas da história nacional. Quero trazer essa lembrança para a nossa Ponta Grossa e contar uma história que vivi de perto, quando tinha apenas 12 anos de idade.

Meu pai, Altair Ramalho, trabalhava na Rádio Difusora, e a emissora montou uma equipe para fazer a cobertura completa da eleição. Era praticamente uma maratona radiofônica! Uma operação que atravessava o dia e a noite, com profissionais acompanhando a apuração e levando as informações aos ouvintes.

E, por incrível que pareça, eu estava lá também!

Ainda menino, dava uma mãozinha no trabalho. Lembro que chegavam os boletins de apuração, com os resultados das urnas, e minha função era ajudar a somar os votos e passar os números aos locutores.

No começo, a contagem envolvia todos os candidatos. Com o avanço da apuração e o volume de informações, porém, ficou inviável acompanhar cada um deles, e o trabalho passou a se concentrar nos principais nomes da disputa.

Eram os votos de Ponta Grossa, os números da nossa cidade, acompanhados de perto por quem fazia rádio naquela época.

Mas vem aí uma curiosidade que guardo na memória até hoje!

Enquanto Fernando Collor acabou vencendo a eleição nacional, em Ponta Grossa o candidato mais votado foi Guilherme Afif Domingos, que concorria com o slogan “Juntos chegaremos lá. Fé no Brasil!”

Afif terminou a disputa nacional em sexto lugar, segundo a classificação oficial do primeiro turno. Em nossa cidade, entretanto, teve um desempenho que ficou marcado na minha memória.

Não sei dizer se ele também venceu em outras cidades, mas me lembro de que, algum tempo depois, voltou a Ponta Grossa para agradecer a votação recebida.

Na ocasião, foi oferecido um almoço para a imprensa e convidados na antiga e já extinta Churrascaria Papai Cogo. O encontro reuniu diversas autoridades locais da época.

E teve um detalhe que me chamou a atenção: Afif foi presenteado com um dos símbolos que representavam a cidade naquele tempo, a cerveja Original.

Imaginem a cena!

De um lado, um candidato à Presidência da República, que havia conquistado uma votação expressiva em nossa cidade. Do outro, autoridades, jornalistas e profissionais da comunicação reunidos para recebê-lo.

E eu estava ali, no meio de tudo aquilo.

Não era autoridade, não fazia parte da imprensa e tampouco tinha qualquer importância política. Era apenas um menino de 12 anos, acompanhando tudo com os olhos curiosos de quem ainda estava descobrindo o mundo.

Mas eu vi aquela cena com meus próprios olhos.

E hoje, 37 anos depois, tenho a oportunidade de dividir essa lembrança com vocês.

O rádio era diferente, a política era diferente e o Brasil também era outro. Mas a emoção de acompanhar uma eleição histórica continua viva na minha memória.

E, quando penso naquela noite de apuração, lembro também do meu pai, e de tudo aquilo que aprendi observando seu trabalho e convivendo com o mundo da comunicação.

Os anos passaram e amanhã, mais uma vez, teremos a oportunidade de participar da democracia por meio do voto.
Que cada um faça sua escolha com consciência, responsabilidade e respeito.
Afinal, a democracia também é feita das histórias que vivemos e das escolhas que fazemos.

JOHN ELVIS RIBAS RAMALHO
Comunicador, radialista, bacharel e colunista

 

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John Elvis Ribas Ramalho
Autoria
John Elvis Ribas Ramalho
Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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