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Violência à noite: 9 em cada 10 brasileiras já sofreram agressões durante deslocamentos para lazer

Relatório do Instituto Patrícia Galvão revela que o medo das mulheres ao sair à noite tem fundamento: 10% das entrevistadas relataram estupro, índice que dobra entre mulheres LGBTQIA+.

Violência à noite: 9 em cada 10 brasileiras já sofreram agressões durante deslocamentos para lazer
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Uma nova pesquisa divulgada pelo Instituto Patrícia Galvão, em parceria com o Instituto Locomotiva e com apoio da Uber, revela um cenário alarmante: 9 em cada 10 mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência durante deslocamentos noturnos para atividades de lazer.

O estudo ouviu 1.200 mulheres entre 18 e 59 anos, em setembro deste ano, e mostra que a maioria foi vítima de violência de cunho sexual, como cantadas invasivas, importunação e assédio sexual. Para 10% das entrevistadas, a situação foi ainda mais grave: elas relataram ter sido estupradas ao sair para locais como bares, restaurantes, baladas, teatros e cinemas. Entre mulheres da comunidade LGBTQIA+, o número de vítimas de estupro dobra.

Mulheres pretas são as mais vulneráveis

O relatório aponta que mulheres pretas (negras de pele retinta) são as mais expostas a diversos tipos de violência. Em episódios que envolvem agressões físicas, estupro, racismo e assédio, a proporção de vítimas pretas é consistentemente maior em relação a outros grupos.

A pesquisa mostra que:

  • 72% das mulheres já sofreram com olhares insistentes ou flertes indesejados;

  • Entre jovens de 18 a 34 anos, esse índice sobe para 78%;

  • 34% foram vítimas de assalto, furto ou sequestro relâmpago;

  • 24% sofreram discriminação ou preconceito por características pessoais (não étnico-raciais);

  • Entre LGBTQIA+, a discriminação atinge 48%.

Onde ocorrem mais casos?

As mulheres se sentem mais vulneráveis ao se deslocar:

  • A pé (73%)

  • De ônibus (53%)

  • Em carro particular (18%)

  • Por aplicativos (18%)

  • De metrô (16%) ou trem (13%)

A segurança é o principal critério na hora de escolher o transporte (58%), seguido por conforto (12%) e praticidade (10%).

Medo que afeta o direito ao lazer

A pesquisa também revela que o medo de sofrer violência já fez 63% das mulheres desistirem de sair à noite, índice que sobe para 66% entre mulheres negras (pretas e pardas).

Além disso:

  • 42% presenciaram violência contra outra mulher;

  • 54% dessas tentaram ajudar a vítima;

  • Apenas 17% das vítimas procuraram a polícia ou uma viatura;

  • Poucas acessaram a Central de Atendimento à Mulher (180).

Táticas de autoproteção

Diante desse cenário, as mulheres criam rotinas para tentar reduzir o risco de violência:

  • 91% informam alguém de confiança sobre onde vão;

  • 89% evitam ruas escuras ou desertas;

  • 89% procuram companhia para ir e voltar;

  • 78% evitam usar certos tipos de roupas ou acessórios;

  • 58% levam peças extras para cobrir o corpo.

Reflexão e urgência

O estudo reforça a urgência de políticas públicas, ações de prevenção e acolhimento às mulheres vítimas de violência, além de campanhas educativas e medidas para garantir o direito ao lazer com segurança e dignidade.

*Com informações da Agência Brasil

Lincoln Vargas
Autoria
Lincoln Vargas
Jornalista pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, trabalho em diversas frentes da área jornalística, mas com uma paixão especial pelo mundo do esporte. Além de fazer parte da redação do Portal BNT, também atuo como repórter setorista do Operário Ferroviário e repórter freelancer.
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