Saco de não dormir, por Renata Régis Florisbelo
Dia em que se está no meio do mato, fazendo uma trilha na qual se para apenas com o objetivo de montar acampamento, comer e se recolher. Assim a noite tem intermináveis doze horas, das 18h às 6h da manhã. Silêncio. Dormir um pouco, acordar. Dormir mais um nada de tempo, acorda. Não dormir, acordar. Continuar […]

Dia em que se está no meio do mato, fazendo uma trilha na qual se para apenas com o objetivo de montar acampamento, comer e se recolher. Assim a noite tem intermináveis doze horas, das 18h às 6h da manhã. Silêncio.
Dormir um pouco, acordar. Dormir mais um nada de tempo, acorda. Não dormir, acordar. Continuar sem dormir, acordar. No meio do nada, o tempo é infinito e a noite nunca acaba. E nesta infinitude ainda o frio aplacava e os dois sacos de dormir individuais, lado a lado, parecendo duas mortalhas.
Frio colossal na noite interminável ao lado do amor feito uma lagarta no casulo, enclausurados no saco de dormir que fazia de cada um prisioneiro numa solitária. Quando a manhã finalmente chegava, libertos do pesadelo da noite gélida e interminável, fora dos sacos de dormir o beijo de bom-dia e a paisagem exuberante nos fazia da horrenda noite esquecer…
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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