A porta era feito uma vitrine. Lá dentro uma desordem aleatória, ordem sem ordem que ousa criar uma nova ordem. Uma única cadeira e utensílios metálicos. Igualmente metálico e desgastado era o olhar do homem em meio ao caos. Olhar vítreo, amadeirado, de diferentes formas, texturas e conjecturas. Distante, inatingível. O homem revestia-se de surpreendente couraça de vida a driblar a mesmice marmórea daqueles ferros, daquelas sucatas anunciadas: Ferro Velho. Ele não era de ferro, não era de cobre, nem era de latão. Bom sujeito devia ser, então. Sentado na cadeira opaca, deixava seu corpo marmóreo esquecer do tempo e se consumir e morrer no vazio de virar cinza no chão. O homem continua sendo de alguma substância cárnea entremeada por ossos. Na vitrine da porta de ferro só é velho quem não mais vive e só assiste o que, bravamente, resiste.