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Por que o trabalho em altura ainda não é levado a sério em muitas empresas?

Trabalho em altura segue entre as principais causas de acidentes fatais no Brasil, apesar de normas, treinamentos e exigências de segurança.

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Foto: APC/Arte: BNT
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O trabalho em altura é uma das atividades que mais gera acidentes graves e fatais no ambiente laboral. Apesar das normas regulamentadoras bem estabelecidas, como a NR-35, e da ampla divulgação de estatísticas sobre os riscos envolvidos, ainda é comum encontrar empresas que negligenciam as medidas de segurança necessárias para proteger seus trabalhadores. Mas por que, mesmo diante de tamanha evidência, o tema não recebe a devida atenção?

Cultura de Segurança Frágil

Muitas organizações enxergam a segurança do trabalho como custo e não como investimento. Isso resulta em práticas superficiais, em que treinamentos são feitos apenas para “cumprir tabela” e equipamentos de proteção individual (EPIs) não são fiscalizados quanto ao uso adequado. A falta de uma cultura de prevenção faz com que a rotina operacional sobreponha a preservação da vida.

Pressão por Produtividade

Em diversos setores, especialmente construção civil, manutenção industrial e serviços elétricos, o cumprimento de prazos acaba se tornando prioridade absoluta. Sob pressão, trabalhadores são expostos a improvisações, como uso inadequado de escadas, ausência de linhas de vida e até ausência de sistemas de ancoragem, comprometendo a segurança em prol da agilidade.

Treinamentos Deficientes ou Inexistentes

Embora a legislação determine capacitação específica para trabalho em altura, muitas empresas não realizam treinamentos de forma periódica e prática. Frequentemente, o conteúdo é reduzido a apresentações rápidas ou cursos online sem simulações reais, deixando de lado a vivência necessária para enfrentar situações de risco.

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Subestimação dos Riscos

Há uma crença equivocada de que a experiência substitui os procedimentos de segurança. Trabalhadores mais antigos, confiantes em sua prática, por vezes ignoram o uso de EPIs. Gestores, por sua vez, acabam sendo complacentes, subestimando os riscos por acreditarem que “sempre foi feito assim e nunca aconteceu nada”.

Fiscalização Insuficiente

A fiscalização interna e externa também desempenha papel relevante. Ambientes de trabalho sem auditorias regulares ou com comissões de segurança inativas favorecem a continuidade de práticas inseguras. Além disso, a fiscalização oficial muitas vezes não alcança todas as empresas, em especial as de menor porte.

Consequências da Negligência

O resultado dessa falta de seriedade é alarmante: quedas de altura continuam liderando os índices de acidentes fatais no trabalho. Além da perda irreparável de vidas, as empresas enfrentam processos judiciais, indenizações elevadas e danos à imagem.

Caminhos para Mudança

Para que o trabalho em altura seja tratado com a seriedade necessária, é essencial:

  • Fortalecer a cultura de segurança com liderança engajada.
  • Investir em treinamentos práticos e contínuos.
  • Fiscalizar o uso de EPIs e EPCs de forma rigorosa.
  • Valorizar o tempo de planejamento das atividades, evitando improvisos.
  • Estimular a participação dos trabalhadores em programas de prevenção.

Conclusão

O trabalho em altura não é apenas uma exigência legal, mas um desafio ético e humano. Ignorar sua importância significa colocar vidas em risco em troca de prazos ou redução de custos imediatos. Empresas que assumem a segurança como prioridade não apenas evitam acidentes, mas também constroem ambientes mais produtivos, sustentáveis e humanos.

Rafael Mansani e José Leal
Autoria
Rafael Mansani e José Leal
Rafael Mansani - Engenheiro Civil e de Segurança do trabalho, pós graduado em Gestão Pública, Mestrando em Eng. De Produção. Diretor Executivo do IPLAN-PMPG. José Leal - Engenheiro civil; Engenheiro de Segurança do Trabalho; Pós-Graduado em: Eng. Sanitária e Ambiental; MBA de Gestão de Eng. de Segurança do Trabalho; Ergonomia; Administração Aplicada à Segurança do Trabalho.
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