MP pede arquivamento de inquérito sobre morte em sótão em Ponta Grossa
Investigado atirou com espingarda de pressão em mulher em situação de rua; Ministério Público aponta legítima defesa. Família vai recorrer“Queremos Justiça”

A 10ª Promotoria de Justiça de Ponta Grossa promoveu o arquivamento do inquérito policial que investigava a morte de Francyely Maria Fernandes, ocorrida em 4 de agosto de 2025, no sótão de um imóvel na Avenida Doutor Vicente Machado, na região central da cidade. A medida foi tomada com base na conclusão de que o autor do disparo, Fábio Jean Veiga, teria agido em legítima defesa. O pedido agora segue para decisão do Judiciário, que poderá homologar ou rejeitar a solicitação.
Entretanto, a família da vítima não concorda com o arquivamento e afirma que vai recorrer, alegando que imagens de câmeras de segurança não foram compartilhadas nem disponibilizadas à defesa da vítima. “Queremos que a Justiça seja feita. O que aconteceu não pode ser ignorado”, declarou um familiar à reportagem do BnT.
? Relembre o caso
Francyely, de 32 anos, estava em situação de rua e foi encontrada morta no sótão do imóvel onde o autor morava e mantinha um salão de beleza. Segundo Fábio Jean, ele ouviu barulhos durante a madrugada e, ao verificar, encontrou a mulher deitada. Armado com uma espingarda de pressão calibre 5.5 mm, ele teria tentado acordá-la, mas, diante da aproximação dela, atirou a curta distância.
O laudo do SAMU confirmou perfuração no tórax próximo ao coração, e exames toxicológicos revelaram uso de cocaína, o que, segundo o Ministério Público, poderia explicar o comportamento errático da vítima.
A versão de legítima defesa apresentada por Fábio foi aceita pelo Ministério Público, que entendeu que o disparo ocorreu em contexto de risco percebido, diante da invasão do imóvel e da aproximação inesperada da vítima.
Já o delegado Timossi, da 13ª Subdivisão Policial, disse que entendeu que não era legítima defesa real.
A família de Francyely contesta a narrativa de legítima defesa e afirma que não foi ouvida adequadamente durante a apuração. Eles também denunciam falhas no compartilhamento de provas, como imagens de câmeras de segurança do local.
A defesa da família deve ingressar com pedido de não homologação do arquivamento e requerer novas diligências, como a quebra de sigilo das imagens e reanálise dos laudos técnicos.
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