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Policial

Mãe denuncia racismo e bullying com filho em colégio de PG

Jovem com TDAH, TOD e Síndrome de Tourette é chamado repetidamente de “macaco” por colega de sala; família registra boletim de ocorrência e leva caso à polícia

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Foto: Reprodução
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Um caso grave de injúria racial e bullying dentro do Colégio Cívico-Militar José Elias da Rocha, em Ponta Grossa (PR), veio à tona após a mãe de um aluno registrar um relato formal de ocorrência e um boletim de ocorrência (BO). Segundo a denúncia, seu filho, diagnosticado com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), TOD (Transtorno Opositivo Desafiador) e Síndrome de Tourette, está sendo ofendido e humilhado dentro da sala de aula por um colega de turma.

As agressões verbais incluem injúrias racistas, como os termos “macaco”, “pobre” e “cabelo de bombril”, além de imitações gestuais de macaco, o que, segundo a mãe, tem se repetido ao longo de vários meses.

Insultos continuaram

Em relato formal datado de 29 de agosto de 2025, a mãe reconhece o esforço da direção da escola e equipe pedagógica, que tentou mediar a situação por meio de conversas com os pais do aluno agressor, registros de quatro atas disciplinares e sugeriu até a troca de sala como medida de contenção do conflito, que a mãe prontamente recusou.

No entanto, mesmo após as intervenções, o aluno agressor continuou com os ataques racistas, inclusive retaliando horas depois de um pedido formal de desculpas, dizendo “vai lá contar pra diretora, macaco”.

Confira as últimas notícias policiais de Ponta Grossa

Família denuncia omissão dos responsáveis pelo agressor

Apesar da atuação ativa da escola, a mãe afirma que os pais do aluno agressor não demonstram envolvimento efetivo e estariam utilizando um recente laudo de TDAH como justificativa para os atos de discriminação.

“Meu filho também tem laudos há quatro anos e nunca usou isso como desculpa para desrespeitar ninguém. Ter um diagnóstico não dá direito a tratar os outros com crueldade”, afirma a mãe.

Medidas legais já foram tomadas

No dia 1º de setembro, a mãe relatou que foi até o colégio acompanhada de um advogado em ato simbólico e legal de reforço ao direito do estudante de estudar com dignidade e segurança.

A mãe apresentou um documento relatando todos os episódios, agora encaminhados às autoridades competentes, como base para processo criminal e possível responsabilização civil dos responsáveis pelo menor infrator.

Injúria racial é crime

De acordo com o Código Penal Brasileiro (Art. 140, §3º), a injúria racial é crime inafiançável e imprescritível, com pena de até cinco anos de reclusão.

Além disso, a Lei nº 13.185/2015, que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying), reforça a responsabilidade da escola, dos pais e do Estado em coibir comportamentos discriminatórios e abusivos em ambiente escolar. A Lei nº 7.716, de 1989, também proibe “os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

A mãe reforça que não aceitará a troca de sala de seu filho como “solução”, pois isso penalizaria a vítima e não o agressor, em pleno terceiro trimestre do ano letivo. “Já deixei claro para a direção que meu filho não será transferido. O problema não está com ele, mas com quem o agride.”

Pronunciamento

Nós entramos em contato com um representante da Secretaria Estadual de Educação do Paraná, mas não obtivemos retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para a resposta do órgão.

*Atualização: a Secretaria Estadual de Educação do Paraná se posicionou por meio de nota, confira:

A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) está ciente do caso envolvendo dois estudantes do 8º ano do ensino fundamental do Colégio Estadual Cívico-Militar José Elias da Rocha, em Ponta Grossa. Ao tomar conhecimento do ocorrido, a pasta determinou que a direção da escola e o Núcleo Regional de Educação (NRE) adotassem todas as medidas cabíveis e necessárias.

Pais e responsáveis foram chamados para diálogo, e a instituição sugeriu o remanejamento de turma do estudante apontado como responsável pela agressão verbal. A equipe pedagógica da Educação acompanha a situação e presta o suporte adequado aos alunos envolvidos.

A Seed-PR reforça que não admite comportamentos que não condizem com o ambiente escolar e segue acompanhando o caso para garantir o bem-estar e o respeito dentro da comunidade escolar.

Lincoln Vargas
Autoria
Lincoln Vargas
Jornalista pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, trabalho em diversas frentes da área jornalística, mas com uma paixão especial pelo mundo do esporte. Além de fazer parte da redação do Portal BNT, também atuo como repórter setorista do Operário Ferroviário e repórter freelancer.
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