Interrogatório de acusados de tentativa de Golpe de Estado inicia no STF
A partir desta segunda-feira (09), o STF começará os interrogatórios de oito réus, incluindo Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe em 2022-2023

A partir de segunda-feira (09), o Supremo Tribunal Federal (STF) dará início ao interrogatório de oito indivíduos implicados na tentativa de golpe de Estado ocorrida em 2022-2023. Este grupo, que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi identificado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como parte do que denomina “núcleo crucial” da organização criminosa envolvida na ruptura democrática.
Durante o mês de maio, a Corte ouviu testemunhas tanto da defesa quanto da acusação, e agora a fase final do processo penal se aproxima com os interrogatórios dos réus. Após essa etapa, as partes terão um prazo para solicitar diligências adicionais e, em seguida, será aberto um período de 15 dias para as alegações finais.
As audiências estão programadas para ocorrer na Primeira Turma do STF ao longo da semana, encerrando-se na sexta-feira, 13 de outubro. O primeiro réu a ser interrogado será Mauro Cid, que celebrou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Os demais serão ouvidos em ordem alfabética.
De acordo com a PGR, cada um dos acusados possui papéis distintos dentro da suposta conspiração. Jair Bolsonaro, por exemplo, é descrito como líder da organização criminosa e teria tomado decisões cruciais que impactaram diretamente a democracia brasileira. A PGR também afirma que Bolsonaro estaria ciente de um plano denominado “Punhal Verde Amarelo”, que visava a eliminação de autoridades.
Entre os outros réus está Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), acusado de auxiliar na disseminação de informações falsas sobre o sistema eleitoral. Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha, e Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, também estão entre os acusados e são apontados como participantes ativos no planejamento do golpe.
Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, ambos ex-ministros em cargos estratégicos do governo Bolsonaro, são mencionados como colaborando diretamente nas ações golpistas e em discussões sobre intervenções militares. Walter Braga Netto e Mauro Cid também enfrentam acusações similares e são descritos como integrantes desse núcleo essencial para a execução do plano.
A Procuradoria atribui cinco crimes principais ao grupo: abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; organização criminosa; dano qualificado; e deterioração de patrimônio tombado. As penas variam entre seis meses e doze anos de reclusão dependendo da gravidade do crime.
O desdobramento deste caso tem atraído atenção significativa não apenas pelo seu conteúdo jurídico, mas também pelas implicações políticas que podem afetar o cenário nacional nos próximos meses.
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