Dino e Moraes vão rediscutir dispensa de diploma para jornalista
Em julgamento na Primeira Turma, Dino e Moraes defenderam a rediscussão da dispensa do diploma de jornalista. A discussão surgiu em caso de direito de resposta envolvendo a TV Globo e uma clínica médica. Ministros alertam para uso indevido da liberdade de imprensa nas redes sociais.

Na sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada nesta terça-feira (18), os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes defenderam a rediscussão da decisão da Corte que, em 2009, dispensou o diploma de jornalista para o exercício legal da profissão. Além disso, a discussão voltou à tona durante o julgamento de um caso de direito de resposta envolvendo a TV Globo e uma clínica médica citada em uma reportagem sobre assédio sexual. Ademais, as declarações ocorrem em um momento de críticas à Corte por medidas envolvendo um blogueiro maranhense.
Debate surgiu em caso de direito de resposta
O julgamento que motivou as declarações tratava de um processo sobre direito de resposta entre a emissora e a clínica médica. Além disso, a reportagem citada abordava um caso de assédio sexual.
Declaração de Flávio Dino
“A extensão automática desse regime de garantias a qualquer blogueiro pode levar a que o PCC e o Comando Vermelho façam um concurso para selecionar blogueiros”, disse Dino.
Portanto, a fala reflete a preocupação do ministro com a ampliação indiscriminada das proteções constitucionais destinadas à imprensa profissional.
Moraes alerta para crimes nas redes sociais
Alexandre de Moraes, por sua vez, defendeu a regulamentação da profissão e ressaltou que o direito constitucional à liberdade de imprensa não pode ser invocado por usuários que usam as redes sociais para cometer crimes contra a honra e atos de desinformação. Além disso, o ministro destacou o cenário de fragilidade provocado pela ausência de critérios claros para a atuação jornalística.
Declaração de Alexandre de Moraes
“Hoje, com as redes sociais, qualquer pessoa acorda e diz a partir de hoje eu sou jornalista e começa a ofender a honra de inúmeras pessoas e se escudar da liberdade de imprensa”, completou Moraes.
Dessa forma, a declaração reforça o entendimento de que a proteção à liberdade de expressão não pode servir de escudo para condutas ilícitas.
Entenda a decisão de 2009 do STF
Em 2009, o STF decidiu que a exigência do diploma de jornalismo e do registro profissional para exercício da profissão é inconstitucional. Além disso, por maioria de votos, a Corte entendeu que o Decreto-Lei 972/1969 não foi recepcionado pela Constituição de 1988. Por exemplo, o decreto criou regras para o exercício da profissão, entre elas a obrigatoriedade de registro no Ministério do Trabalho e diploma de curso superior em jornalismo.
- Exigência de diploma e registro considerada inconstitucional;
- Decreto-Lei 972/1969 não recepcionado pela Constituição de 1988;
- Regras incluíam registro no Ministério do Trabalho e diploma superior em jornalismo.
Aquela decisão representou um marco na interpretação das garantias fundamentais relacionadas à liberdade de expressão. No entanto, as declarações desta terça-feira indicam que os ministros consideram necessário reavaliar esse entendimento diante do novo cenário das redes sociais.
Rediscussão ocorre em meio a críticas por Luís Pablo
A rediscussão sobre a dispensa de diploma para jornalista ocorre no momento em que a Corte é criticada por autorizar medidas de quebra de sigilo contra o blogueiro maranhense Luís Pablo. Além disso, segundo Moraes, informações repassadas pela fonte foram obtidas a partir do monitoramento ilegal da rotina de Dino e seus familiares em São Luís.
O caso envolvendo Luís Pablo acrescenta um elemento sensível ao debate sobre a atuação de blogueiros e a proteção de dados pessoais. Portanto, a menção a monitoramento ilegal sugere que a análise da Corte pode considerar também aspectos de segurança e privacidade, além da questão do diploma.
Falas indicam novo exame do tema
Não foi detalhado se haverá formalização de uma proposta para rediscutir a dispensa do diploma. As declarações dos ministros, no entanto, sinalizam uma mudança de postura em relação ao entendimento firmado em 2009. Assim sendo, o portal continuará acompanhando os desdobramentos dessa discussão no Supremo.
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