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Ponta Grossa

Decisão revela suposto conluio de clínicas e pressão política contra contrato do CRAR em Ponta Grossa

Clinicão Ponta Grossa segue no CRAR após decisão do TJPR; documentos revelam conluio de clínicas, disputa econômica, pressão política e denúncias nos bastidores.

Decisão revela suposto conluio de clínicas e pressão política contra contrato do CRAR em Ponta Grossa
Bastidores do CRAR em PG
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A polêmica envolvendo a Clinicão Ponta Grossa ganhou novos desdobramentos após o Portal BnT ter acesso a documentos judiciais, manifestações oficiais e respostas dos envolvidos no caso do CRAR. A decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) manteve a empresa atuando normalmente enquanto os autos revelam uma intensa disputa política, possível conluio de clínicas veterinárias e interesses econômicos particulares nos bastidores da causa animal em Ponta Grossa.

A decisão foi proferida pelo desembargador Carlos Mansur Arida, da 5ª Câmara Cível do TJPR, no Agravo de Instrumento nº 0051355-23.2026.8.16.0000. Na prática, a medida garante a continuidade dos serviços prestados pela Clinicão até julgamento definitivo da ação.

A matemática do abuso: economia de 300% para o município

O cerne da revolta de um grupo de empresários locais não parece estar ligado à técnica anestésica ou ao bem-estar animal, mas sim ao impacto financeiro provocado pela mudança contratual implementada no CRAR.

Os documentos anexados ao processo apontam que a substituição do antigo modelo de credenciamento direto por pregão eletrônico gerou uma redução média superior a 300% nos custos pagos pelo município em diversos procedimentos veterinários.

Os números apresentados nos autos chamam atenção:

  • Castração Canina (Macho e Fêmea): o valor caiu de R$ 660,00 para R$ 193,46 — economia aproximada de 70,6% por procedimento;
  • Castração Felina (Fêmea): redução de R$ 490,30 para R$ 174,11 — queda de 64,5%;
  • Castração Felina (Macho): de R$ 490,30 para R$ 154,77 — redução de aproximadamente 68,4%.

A defesa da Clinicão sustenta que a forte redução nos valores teria afetado diretamente clínicas veterinárias que anteriormente atuavam junto ao município em contratos considerados mais vantajosos financeiramente.

Segundo os advogados da empresa, parte das movimentações políticas e judiciais teria surgido justamente após a ruptura desse modelo anterior.

Engenharia da desinformação

Mais do que uma disputa contratual, os documentos apresentados no processo descrevem o que a defesa classifica como uma verdadeira operação de desinformação voltada à formação de pressão popular contra o novo modelo implantado no CRAR.

Enquanto os autos trazem argumentos técnicos e jurídicos sobre os protocolos utilizados pela empresa, as redes sociais passaram a ser tomadas por narrativas de que animais estariam sendo submetidos a procedimentos sem anestesia — informação contestada pela defesa, que classificou as acusações como “falsa narrativa desprovida de respaldo científico”.

Na decisão que concedeu efeito suspensivo mantendo o contrato da Clinicão, o desembargador Carlos Mansur Arida reconheceu elementos que apontam para possível instrumentalização política e econômica do debate envolvendo o CRAR.

Outro ponto destacado pela defesa envolve vídeos relacionados ao protocolo CED (Captura, Esterilização e Devolução), prática prevista pela Lei Municipal nº 9.019/2007 e utilizada em grandes centros urbanos do país.

Segundo os autos, imagens de solturas técnicas de animais foram retiradas de contexto e divulgadas como supostos casos de abandono, gerando forte repercussão emocional nas redes sociais e ampliando artificialmente o cenário de crise.

A tese apresentada pela empresa sustenta que parte da indignação pública teria sido alimentada por informações distorcidas, enquanto os dados relacionados à economia gerada ao município acabaram ficando em segundo plano no debate público.

O “Conselho” e a CPI: ferramentas de pressão política?

A investigação sobre os bastidores do caso também levanta questionamentos sobre a atuação política envolvendo a CPI do CRAR e integrantes ligados à fiscalização da causa animal em Ponta Grossa.

Segundo a defesa apresentada no processo, existiria um eixo político-econômico atuando em conjunto para pressionar a nova empresa responsável pelos serviços veterinários públicos.

Os documentos apontam como figura central desse cenário Anael Ruccieri Proença dos Santos, que atualmente ocupa os cargos de presidente do Conselho Municipal de Proteção Animal e presidente do Grupo Fauna, entidade autora da ação original contra a Clinicão.

Os autos também mencionam que Anael atua como advogado pessoal da vereadora Joce Canto e possui vínculo societário anterior com o pai de um assessor parlamentar da mesma vereadora.

Para a defesa da Clinicão, a coincidência entre os vínculos políticos, institucionais e econômicos reforçaria a tese de articulação coordenada contra a permanência da empresa no CRAR.

A empresa também sustenta que a CPI em andamento na Câmara Municipal estaria sendo utilizada como instrumento adicional de pressão política e desgaste institucional.

TEKA DOS ANIMAIS DIZ QUE FOCO É A FISCALIZAÇÃO

A vereadora Teka dos Animais, presidente da CPI do CRAR, afirmou ao Portal BnT que sua atuação está voltada exclusivamente à fiscalização do serviço público e à defesa da causa animal.

Segundo a parlamentar, o atendimento veterinário oferecido à população precisa garantir qualidade, dignidade e eficiência, independentemente da empresa responsável pela gestão do contrato.

Ela destacou ainda que, diante das denúncias recebidas, o dever do Legislativo é investigar possíveis irregularidades e buscar melhorias no atendimento prestado aos animais. Confira nota na íntegra com a Resposta vereadora teka dos animais

CMPDA REBATE ACUSAÇÕES E APONTA IRREGULARIDADES

O Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (CMPDA) negou qualquer atuação motivada por interesses econômicos ou favorecimento de clínicas veterinárias.

Em manifestação encaminhada ao Portal BnT, o conselho afirmou que não questiona a redução de custos ao município, mas sustenta que contratos públicos precisam cumprir exigências legais, sanitárias e operacionais.

Entre os problemas apontados pelo CMPDA estão supostas falhas estruturais, inconsistências em prontuários, ausência de protocolos, problemas em atendimentos de urgência, além de questionamentos envolvendo prestação de contas e condições de trabalho.

O conselho afirmou ainda que parte das irregularidades teria sido apontada também por fiscais municipais, CRMV-PR e VISAT. Confira as Respostas do Conselho Municipal

JOCE CANTO NEGA QUALQUER TIPO DE CONLUIO

A vereadora Joce Canto respondeu aos questionamentos feitos pelo Portal BnT e negou qualquer tipo de conluio envolvendo clínicas veterinárias, conselhos ou integrantes da fiscalização.

Ela confirmou que o Dr. Anael foi sócio do filho de seu assessor entre os anos de 2018 e 2019, mas afirmou que o vínculo antigo não possui relação com as investigações atuais.

Segundo Joce, o caso envolve interesse público, fiscalização e legalidade contratual. A parlamentar destacou ainda que a situação vem sendo acompanhada pelo Ministério Público, Tribunal de Contas e pela Câmara Municipal de Ponta Grossa. Confira a íntegrada da NOTA DE ESCLARECIMENTO vereadora Joce

DR. ANAEL DIZ QUE ATUAÇÃO É VOLUNTÁRIA

O médico veterinário Dr. Anael também negou qualquer atuação em benefício de clínicas veterinárias.

Em resposta enviada ao Portal BnT, afirmou que todos os integrantes do CMPDA exercem função voluntária e que o foco da atuação é exclusivamente o bem-estar animal.

Ele declarou ainda que o principal debate deveria ocorrer sobre os motivos pelos quais um contrato com supostas irregularidades documentadas ainda permanece ativo.

CLINICÃO DIZ QUE SEGUE OPERANDO MESMO SEM REPASSES

Em nota encaminhada ao Portal BnT, a Clinicão Clínica Veterinária afirmou possuir total interesse no esclarecimento dos fatos relacionados às manifestações, denúncias e ações envolvendo a operação do CRAR em Ponta Grossa.

A empresa destacou que a própria decisão liminar reconhece elementos que apontariam para atuação articulada de clínicas veterinárias anteriormente beneficiadas por contratos de altos valores junto ao município e que perderam espaço após a implementação do novo modelo contratual.

Segundo a Clinicão, parte das movimentações judiciais e políticas ocorridas nos últimos meses atenderia interesses comerciais e políticos contrários ao atual sistema de gestão, que, segundo a empresa, teria ampliado a capacidade operacional, reduzido custos públicos e mantido atendimento contínuo aos animais.

A empresa afirmou ainda que continua operando normalmente mesmo sem receber repasses financeiros da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa desde o início de 2026. Conforme a nota, os valores pendentes já somariam aproximadamente R$ 1,5 milhão.

De acordo com a Clinicão, os serviços seguem sendo mantidos com recursos próprios para garantir a continuidade dos atendimentos e a proteção dos animais assistidos pelo programa.

A empresa encerra afirmando que mantém confiança no Poder Judiciário e permanece à disposição para esclarecimentos técnicos e institucionais necessários. Nota à imprensa Clinicão

CASO AMPLIA DEBATE SOBRE DINHEIRO PÚBLICO E CAUSA ANIMAL

Mesmo diante das denúncias, manifestações políticas e investigações em andamento, a decisão do TJPR manteve a Clinicão operando normalmente no CRAR.

Enquanto a empresa sustenta que sofre ataques motivados por interesses econômicos e perda de contratos públicos, vereadores, integrantes do conselho e representantes da causa animal afirmam que existem questionamentos graves sobre a execução do serviço.

O caso já ultrapassa a discussão sobre atendimento veterinário e se transforma em uma das disputas mais delicadas envolvendo dinheiro público, fiscalização, bastidores políticos e interesses econômicos em Ponta Grossa.

Leia também:
AO VIVO: Presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais expõe denúncias sobre serviços do CRAR

Marcos Silva
Autoria
Marcos Silva
Jornalista associado à Abrajet-PR, formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), com MBA em Gestão da Comunicação Empresarial (TUIUTI). Profissional com quase 20 anos de atuação em redações de rádio, jornal e portais de notícia.
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