SÁBADO · 27 JUN 2026Ponta Grossa 12°C ⛈️
Publicidade
Ponta Grossa

CPI da Sanepar aponta falhas graves: multa de R$ 12,5 milhões é recomendada

Além disso, a comissão propõe a criação de uma emenda à Lei Orgânica do Município, para definir de forma mais clara a responsabilidade sobre a fiscalização dos serviços de saneamento após a regionalização

guilhermemazercpi
BNT NEWS
Publicidade

Em entrevista ao vivo nos estúdios da BNT NEWS nesta sexta-feira (09), o vereador Guilherme Mazer, relator da CPI da Sanepar na Câmara Municipal de Ponta Grossa, esclareceu os principais pontos do relatório final entregue nesta semana. A Comissão Parlamentar de Inquérito investigou os motivos da crise hídrica que afetou o município nos últimos anos e recomendou multa de R$ 12,5 milhões à concessionária Sanepar.

Segundo o vereador, a crise foi resultado direto do atraso em uma obra fundamental de ampliação da captação e adução de água, prevista desde 2015 no Plano Municipal de Saneamento Básico. A obra, que deveria ter sido concluída em 2022, só foi parcialmente entregue em 2025, o que, segundo Mazer, contribuiu decisivamente para o desabastecimento.

“Se essa obra estivesse pronta, não teríamos tido falta de água. Mas não houve fiscalização — nem da prefeitura, nem da GEPAR”, declarou o vereador.

Além do atraso, a CPI identificou uma falta sistêmica de fiscalização por parte da prefeitura de Ponta Grossa e da Agência Reguladora do Paraná (GEPAR), especialmente após a regionalização do sistema de saneamento. Mazer revelou que, mesmo com a criação da microrregião, não houve clareza sobre de quem era a responsabilidade pela fiscalização do contrato com a Sanepar.

Críticas à Sanepar e à regionalização

Durante a entrevista, o vereador criticou a postura da Sanepar durante a crise, afirmando que a empresa foi pouco transparente, agiu para conter danos à sua imagem e priorizou interesses de mercado.

“A companhia é hoje parcialmente privatizada. Ela precisa agradar os acionistas. O serviço ficou em segundo plano”, afirmou Mazer, que também citou o fato de que, mesmo durante o desabastecimento, as ações da Sanepar subiram na bolsa de valores.

Sobre a regionalização, ele destacou que a forma como Ponta Grossa aderiu ao novo modelo foi inadequada, sem debate interno suficiente, sem consulta à Câmara e com um contrato “precário” que não especifica os investimentos previstos até 2048.

Responsabilidade compartilhada

A CPI apontou também a responsabilidade do Legislativo municipal, que não foi consultado sobre o aditivo contratual que oficializou a entrada de Ponta Grossa na microrregião. Embora o maior peso recaia sobre a prefeitura, a Câmara poderia ter cobrado maior transparência e análise do processo.

Além disso, a comissão propõe a criação de uma emenda à Lei Orgânica do Município, para definir de forma mais clara a responsabilidade sobre a fiscalização dos serviços de saneamento após a regionalização, que impacta centenas de municípios paranaenses.

Nota da Sanepar

Em resposta, a Sanepar afirmou, por meio de nota, que prestou todos os esclarecimentos solicitados pela CPI e participou de reuniões técnicas com os vereadores. A empresa atribuiu os problemas a “intercorrências não previstas durante a obra” e ao “aumento atípico da temperatura”, que teria elevado o consumo de água de forma emergencial. A Sanepar também alegou que aguarda o recebimento oficial do relatório para avaliá-lo.

Mazer rebateu a justificativa:

“Eles sabiam do risco desde 2015 e mesmo assim liberaram novas ligações de água. Isso é negligência contratual.”

Cobrança da multa depende da prefeitura

A multa proposta de R$ 12,5 milhões equivale a aproximadamente 10% do faturamento mensal da Sanepar com a operação em Ponta Grossa. No entanto, a CPI não tem poder para aplicar a penalidade — a cobrança depende da prefeitura.

“Se a prefeita não cobrar essa multa, estará sendo conivente com a negligência da empresa”, afirmou o vereador, ressaltando que o relatório também será encaminhado ao Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado e Assembleia Legislativa.

Perspectivas e próximos passos

O relatório da CPI deve servir como base para discussões estaduais sobre a regionalização do saneamento básico e a necessidade de uma maior regulamentação e fiscalização desses contratos. Segundo o vereador, o caso de Ponta Grossa é só um exemplo de uma crise que pode atingir outros municípios.

“É hora de repensar a forma como o Paraná está tratando os serviços públicos. A população não pode pagar a conta da má gestão e da falta de planejamento.”

Leia também UEPG e Prefeitura de Telêmaco Borba avaliam novos cursos para o município 

Luis Carlos Pimentel
Autoria
Luis Carlos Pimentel
Formado em Técnica Contábil, estudou Jornalismo na Faculdade Secal. Há 40 anos trabalha em meios de comunicação social. Trabalhou em emissoras de rádio, jornais impressos e portais. Registro Mtb/PR - 4451
Ver todas as matérias →
Publicidade
Publicidade
Notícias relacionadas
Web Stories
Todas →
VídeosMais vídeos para você curtir
Ver no YouTube →