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Agronegócio

Agronegócio brasileiro enfrenta desafios com novo tarifaço comercial norte-americano

O agronegócio, considerado um pilar estratégico da economia brasileira e um dos principais motores do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos anos, está prestes a enfrentar uma série de desafios devido ao novo pacote de tarifas comerciais anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A partir de 1º de agosto, uma tarifa […]

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O agronegócio, considerado um pilar estratégico da economia brasileira e um dos principais motores do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos anos, está prestes a enfrentar uma série de desafios devido ao novo pacote de tarifas comerciais anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A partir de 1º de agosto, uma tarifa adicional de 50% será imposta sobre todos os produtos brasileiros exportados para os EUA, somando-se às tarifas setoriais existentes, como as que afetam o aço e o alumínio.

A decisão de Trump é vista como uma resposta a supostos “ataques insidiosos” à democracia brasileira, fazendo referência ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi acusado de tentativa de golpe em 2022. Em uma correspondência dirigida ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump reiterou suas críticas e justificou o aumento das tarifas alegando que o Brasil não está cumprindo seus compromissos comerciais.

O agronegócio brasileiro, reconhecido por sua competitividade global, é um dos setores mais diretamente impactados por essas medidas. Com uma forte presença no mercado internacional, especialmente em produtos como soja e algodão, o Brasil concorre diretamente com os EUA. Atualmente, os Estados Unidos representam o segundo maior destino das exportações agropecuárias brasileiras, após a China. Em 2022, o Brasil exportou cerca de 9,4 milhões de toneladas de produtos agrícolas para os EUA, gerando aproximadamente US$ 12 bilhões em receitas.

As exportações de carne bovina se destacam como uma das principais áreas de preocupação para o setor agrícola nacional. De janeiro a março de 2025, o Brasil enviou 181,4 mil toneladas desse produto para os EUA, resultando em um faturamento superior a US$ 1 bilhão. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) expressou sua preocupação em nota, afirmando que as tarifas representam um “entrave ao comércio internacional” e afetam negativamente a produção de carne bovina.

A Abiec também alertou que questões geopolíticas não devem criar barreiras ao comércio global e à segurança alimentar, especialmente em um contexto que requer cooperação entre nações.

Outro setor relevante para as exportações brasileiras é o suco de laranja. Os Estados Unidos se configuram como os principais clientes do Brasil nessa categoria. Dados da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) indicam que as tarifas adicionais anunciadas anteriormente poderiam resultar em perdas anuais superiores a R$ 1 bilhão. Entre janeiro e maio deste ano, o Brasil exportou 570 mil toneladas de suco de laranja para os EUA, totalizando US$ 692,2 milhões.

A indústria do açúcar também deve ser impactada pelo novo tarifaço. O Nordeste do Brasil é uma região produtiva nesse segmento e atualmente possui uma cota de 150 mil toneladas por safra estabelecida pelos EUA. Com um rendimento médio estimado em R$ 600 milhões, representantes do setor expressaram preocupação quanto aos possíveis efeitos negativos nas exportações e na geração de empregos devido às novas tarifas.

Nos primeiros cinco meses deste ano, o setor sucroalcooleiro brasileiro já havia enviado 322,9 mil toneladas de açúcar para os EUA, gerando um movimento financeiro de US$ 210,7 milhões. Diante desse cenário desafiador, especialistas ressaltam a importância da colaboração internacional e da necessidade urgente de estratégias para mitigar os impactos adversos das novas políticas comerciais dos Estados Unidos.

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