Carroça, por Renata Régis Florisbelo
Apenas oito anos e ela já fazia vários serviços. A vida na roça não poupa sequer os pequenos. Animais para cuidar, mato para capinar… A mãe mal vivera com ela e seu irmão gêmeo, separada das crianças para buscar trabalho e sustento. Nos anos de 1920 não era fácil ter gêmeos sem pai para o […]

Apenas oito anos e ela já fazia vários serviços. A vida na roça não poupa sequer os pequenos. Animais para cuidar, mato para capinar… A mãe mal vivera com ela e seu irmão gêmeo, separada das crianças para buscar trabalho e sustento. Nos anos de 1920 não era fácil ter gêmeos sem pai para o sustento da família.
E um casal que se dispôs a cuidar dos dois. Até os 8 anos a vida seguia na casa, nas tarefas, nos estudos, na não-mãe que era mãe. As boas novas um dia trouxeram a mãe legítima, estruturada, trabalhando numa casa de família que lhe permitiria acolher seu casal de filhos. Braços e afetos que as crianças mal lembravam, e foram carroça a dentro com a legítima mãe no feliz intento.
A carroça é lenta. A mãe, que não era mãe, ficou na frente de casa a ver o par que se pôs para longe. Impulso, pulso que não cessa, e a menina pula da carroça e corre ao encontro da mãe-não-mãe. Dor, tristeza e resignação da mãe, sempre mãe, apesar do distante vão, seguiu, agora tendo ausente, metade do coração.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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