SÁBADO · 27 JUN 2026Ponta Grossa 13°C 🌦️
Publicidade
Colunistas

Análise Comparativa dos Acidentes de Trabalho no Município de Ponta Grossa (2024–2025)

O presente tem como objetivo analisar comparativamente os acidentes de trabalho ocorridos no município de Ponta Grossa entre os anos de 2024 e 2025, a partir de dados disponibilizados pelo SINAN – Sistema de Informação de Agravos de Notificação. A análise evidencia tendências relevantes quanto à incidência, perfil das vítimas e circunstâncias dos acidentes, permitindo […]

Análise Comparativa dos Acidentes de Trabalho no Município de Ponta Grossa (2024–2025)
Análise Comparativa dos Acidentes de Trabalho no Município de Ponta Grossa (2024–2025)
Publicidade

O presente tem como objetivo analisar comparativamente os acidentes de trabalho ocorridos no município de Ponta Grossa entre os anos de 2024 e 2025, a partir de dados disponibilizados pelo SINAN – Sistema de Informação de Agravos de Notificação. A análise evidencia tendências relevantes quanto à incidência, perfil das vítimas e circunstâncias dos acidentes, permitindo a identificação de fatores críticos e subsidiando a proposição de medidas preventivas. Os resultados apontam para o aumento de notificações, concentração de ocorrências em determinados períodos e predominância de acidentes envolvendo membros superiores, reforçando a necessidade de ações contínuas de prevenção e fortalecimento da cultura de segurança nos ambientes de trabalho.

Introdução

A ocorrência de acidentes de trabalho representa um dos principais desafios para a saúde e segurança ocupacional no Brasil. Além dos impactos sociais e econômicos, tais eventos evidenciam fragilidades nos sistemas de gestão de segurança das organizações.

Nesse contexto, a análise sistemática de dados provenientes de sistemas oficiais, como o SINAN, constitui uma ferramenta essencial para a prevenção, pois permite identificar padrões, causas recorrentes e falhas nos processos de trabalho. A partir dessas informações, torna-se possível desenvolver estratégias mais eficazes voltadas à mitigação de riscos.

O estudo foi desenvolvido com base em dados secundários fornecidos pelo SINAN, Coordenação de Epidemiologia da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa. Foi realizada uma análise comparativa entre os anos de 2024 e 2025, considerando variáveis como número de acidentes, dias da semana, horários de ocorrência, partes do corpo atingidas, faixa etária e sexo das vítimas.

Resultados e Discussão

Acidentes Fatais

Observou-se variação nos registros de acidentes fatais ao longo do período analisado. Apesar de inconsistência nos valores absolutos apresentados, os dados indicam a necessidade de maior rigor na análise e controle desses eventos, dada sua gravidade e impacto social.

Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT)

Verificou-se um aumento de 24,02% nas notificações, passando de 1.445 registros em 2024 para 1.902 em 2025. Esse crescimento pode estar associado tanto ao aumento real de ocorrências quanto à melhoria nos processos de notificação.

Distribuição por Dia da Semana

Os acidentes concentram-se principalmente na quarta-feira (26,55%), seguida pela quinta-feira (15,93%). A média registrada foi de 5,21 acidentes por dia, indicando um padrão que pode estar relacionado à fadiga acumulada ou à intensificação das atividades ao longo da semana.

Partes do Corpo Atingidas

A maior incidência de lesões ocorreu nas mãos e membros superiores, o que sugere falhas em procedimentos operacionais, uso inadequado de equipamentos de proteção individual (EPIs) ou ausência de treinamentos específicos.

Horário das Ocorrências

Os períodos com maior número de acidentes foram:

Entre 08h e 10h (16,92%);

Entre 14h e 16h (15,35%).

Esses intervalos coincidem com momentos de maior atividade produtiva, o que pode influenciar diretamente o aumento da exposição aos riscos.

Faixa Etária

A maior parte dos acidentes ocorreu com trabalhadores entre 20 e 29 anos (31,12%), indicando maior vulnerabilidade entre profissionais mais jovens ou com menor experiência na função.

Sexo das Vítimas

Observou-se predominância de acidentes com trabalhadores do sexo masculino (72,55%), em comparação com o sexo feminino (27,45%), o que pode refletir a distribuição da força de trabalho em atividades de maior risco.

Medidas Preventivas Propostas

Com base nos dados analisados, destacam-se as seguintes ações preventivas:

Trabalhadores Recém-Contratados:

Reforço nos processos de integração;

Acompanhamento por profissionais experientes nos primeiros dias;

Treinamentos específicos conforme a função.

Proteção de Mãos e Membros Superiores:

Campanhas educativas sobre riscos ocupacionais;

Inclusão do tema nos Diálogos Diários de Segurança (DDS);

Aplicação da metodologia OPA (Olhar, Planejar e Agir).

Períodos Críticos (08h–10h):

Realização de DDS estratégicos nesse intervalo;

Intensificação da presença de equipes de segurança e supervisão.

Concentração de Acidentes às Quartas-feiras

Planejamento de campanhas de segurança nesse dia;

Realização de inspeções preventivas;

Ações voltadas ao comportamento seguro.

Considerações Finais

Os resultados obtidos evidenciam a importância da análise contínua dos dados de acidentes de trabalho como ferramenta estratégica para a prevenção. A identificação de padrões permite direcionar ações mais assertivas, contribuindo para a redução dos índices de acidentes.

Nesse sentido, a atuação dos profissionais de segurança do trabalho e gestores, deve estar integrada às estratégias organizacionais das empresas, promovendo ambientes mais seguros e saudáveis. Mais do que uma exigência legal, a prevenção de acidentes constitui um compromisso ético com a preservação da vida e da integridade dos trabalhadores.

José Aparecido Leal

 Eng.º Civil, e de Segurança do Trabalho

Presidente da Associação dos Engenheiros de Segurança dos Campos Gerais

Leia também: “A importância dos procedimentos na gestão organizacional”, por Rafael Mansani e José Leal

Tags
Rafael Mansani e José Leal
Autoria
Rafael Mansani e José Leal
Rafael Mansani - Engenheiro Civil e de Segurança do trabalho, pós graduado em Gestão Pública, Mestrando em Eng. De Produção. Diretor Executivo do IPLAN-PMPG. José Leal - Engenheiro civil; Engenheiro de Segurança do Trabalho; Pós-Graduado em: Eng. Sanitária e Ambiental; MBA de Gestão de Eng. de Segurança do Trabalho; Ergonomia; Administração Aplicada à Segurança do Trabalho.
Ver todas as matérias →
Publicidade
Publicidade
Notícias relacionadas
Web Stories
Todas →
VídeosMais vídeos para você curtir
Ver no YouTube →