Análise Comparativa dos Acidentes de Trabalho no Município de Ponta Grossa (2024–2025)
O presente tem como objetivo analisar comparativamente os acidentes de trabalho ocorridos no município de Ponta Grossa entre os anos de 2024 e 2025, a partir de dados disponibilizados pelo SINAN – Sistema de Informação de Agravos de Notificação. A análise evidencia tendências relevantes quanto à incidência, perfil das vítimas e circunstâncias dos acidentes, permitindo […]

O presente tem como objetivo analisar comparativamente os acidentes de trabalho ocorridos no município de Ponta Grossa entre os anos de 2024 e 2025, a partir de dados disponibilizados pelo SINAN – Sistema de Informação de Agravos de Notificação. A análise evidencia tendências relevantes quanto à incidência, perfil das vítimas e circunstâncias dos acidentes, permitindo a identificação de fatores críticos e subsidiando a proposição de medidas preventivas. Os resultados apontam para o aumento de notificações, concentração de ocorrências em determinados períodos e predominância de acidentes envolvendo membros superiores, reforçando a necessidade de ações contínuas de prevenção e fortalecimento da cultura de segurança nos ambientes de trabalho.
Introdução
A ocorrência de acidentes de trabalho representa um dos principais desafios para a saúde e segurança ocupacional no Brasil. Além dos impactos sociais e econômicos, tais eventos evidenciam fragilidades nos sistemas de gestão de segurança das organizações.
Nesse contexto, a análise sistemática de dados provenientes de sistemas oficiais, como o SINAN, constitui uma ferramenta essencial para a prevenção, pois permite identificar padrões, causas recorrentes e falhas nos processos de trabalho. A partir dessas informações, torna-se possível desenvolver estratégias mais eficazes voltadas à mitigação de riscos.
O estudo foi desenvolvido com base em dados secundários fornecidos pelo SINAN, Coordenação de Epidemiologia da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa. Foi realizada uma análise comparativa entre os anos de 2024 e 2025, considerando variáveis como número de acidentes, dias da semana, horários de ocorrência, partes do corpo atingidas, faixa etária e sexo das vítimas.
Resultados e Discussão
Acidentes Fatais
Observou-se variação nos registros de acidentes fatais ao longo do período analisado. Apesar de inconsistência nos valores absolutos apresentados, os dados indicam a necessidade de maior rigor na análise e controle desses eventos, dada sua gravidade e impacto social.
Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT)
Verificou-se um aumento de 24,02% nas notificações, passando de 1.445 registros em 2024 para 1.902 em 2025. Esse crescimento pode estar associado tanto ao aumento real de ocorrências quanto à melhoria nos processos de notificação.
Distribuição por Dia da Semana
Os acidentes concentram-se principalmente na quarta-feira (26,55%), seguida pela quinta-feira (15,93%). A média registrada foi de 5,21 acidentes por dia, indicando um padrão que pode estar relacionado à fadiga acumulada ou à intensificação das atividades ao longo da semana.
Partes do Corpo Atingidas
A maior incidência de lesões ocorreu nas mãos e membros superiores, o que sugere falhas em procedimentos operacionais, uso inadequado de equipamentos de proteção individual (EPIs) ou ausência de treinamentos específicos.
Horário das Ocorrências
Os períodos com maior número de acidentes foram:
Entre 08h e 10h (16,92%);
Entre 14h e 16h (15,35%).
Esses intervalos coincidem com momentos de maior atividade produtiva, o que pode influenciar diretamente o aumento da exposição aos riscos.
Faixa Etária
A maior parte dos acidentes ocorreu com trabalhadores entre 20 e 29 anos (31,12%), indicando maior vulnerabilidade entre profissionais mais jovens ou com menor experiência na função.
Sexo das Vítimas
Observou-se predominância de acidentes com trabalhadores do sexo masculino (72,55%), em comparação com o sexo feminino (27,45%), o que pode refletir a distribuição da força de trabalho em atividades de maior risco.
Medidas Preventivas Propostas
Com base nos dados analisados, destacam-se as seguintes ações preventivas:
Trabalhadores Recém-Contratados:
Reforço nos processos de integração;
Acompanhamento por profissionais experientes nos primeiros dias;
Treinamentos específicos conforme a função.
Proteção de Mãos e Membros Superiores:
Campanhas educativas sobre riscos ocupacionais;
Inclusão do tema nos Diálogos Diários de Segurança (DDS);
Aplicação da metodologia OPA (Olhar, Planejar e Agir).
Períodos Críticos (08h–10h):
Realização de DDS estratégicos nesse intervalo;
Intensificação da presença de equipes de segurança e supervisão.
Concentração de Acidentes às Quartas-feiras
Planejamento de campanhas de segurança nesse dia;
Realização de inspeções preventivas;
Ações voltadas ao comportamento seguro.
Considerações Finais
Os resultados obtidos evidenciam a importância da análise contínua dos dados de acidentes de trabalho como ferramenta estratégica para a prevenção. A identificação de padrões permite direcionar ações mais assertivas, contribuindo para a redução dos índices de acidentes.
Nesse sentido, a atuação dos profissionais de segurança do trabalho e gestores, deve estar integrada às estratégias organizacionais das empresas, promovendo ambientes mais seguros e saudáveis. Mais do que uma exigência legal, a prevenção de acidentes constitui um compromisso ético com a preservação da vida e da integridade dos trabalhadores.
José Aparecido Leal
Eng.º Civil, e de Segurança do Trabalho
Presidente da Associação dos Engenheiros de Segurança dos Campos Gerais
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