Alerta da Copa: 34% dos brasileiros já tiveram contato com golpes ligados ao Mundial
Levantamento aponta que 34% dos internautas brasileiros tiveram contato com tentativas de fraude envolvendo futebol; redes sociais são o principal caminho usado pelos golpistas

A proximidade da Copa do Mundo de 2026 acendeu um alerta para os torcedores: os golpes envolvendo futebol cresceram de forma significativa e estão cada vez mais sofisticados. Um levantamento da NordVPN aponta que 34% dos brasileiros que utilizam internet tiveram contato com algum tipo de fraude relacionada ao tema entre 2024 e 2025.
O crescimento das fraudes ocorre em meio ao avanço da inteligência artificial generativa, ferramenta que vem sendo utilizada por criminosos para criar páginas falsas, anúncios enganosos e abordagens personalizadas em menos tempo.
Segundo dados do Procon-SP, as reclamações relacionadas à Copa também dispararam. Entre março e maio de 2026 foram 238 registros. O número passou de 19 reclamações em março para 63 em abril e chegou a 156 em maio.
Inteligência artificial acelera criação dos golpes
Uma das principais mudanças em relação ao último Mundial está na velocidade das ações criminosas. Antes, montar sites falsos e campanhas de phishing exigia mais conhecimento técnico e tempo. Agora, com apoio de ferramentas de IA, esse processo pode ser feito em poucas horas.
“Hoje, com ferramentas de inteligência artificial generativa acessíveis a qualquer pessoa, esse ciclo caiu para poucas horas”, explica Marcelo Souza, vice-presidente de Produto da Certta, empresa especializada em soluções antifraude.
Além disso, os ataques estão mais personalizados. Criminosos utilizam informações obtidas em vazamentos de dados, como CPF, e-mail e histórico de compras, para criar mensagens que parecem reais e aumentar as chances de enganar as vítimas.
Pix vira alvo dos criminosos
Outra mudança importante está relacionada às formas de pagamento. Se na Copa passada cartões e boletos ainda eram bastante utilizados, agora o Pix ganhou protagonismo nas fraudes.
Segundo especialistas, a rapidez da transferência dificulta a recuperação do dinheiro após o golpe.
“O Pix também muda a equação de forma bastante concreta. A instantaneidade e a irreversibilidade da transação eliminam a janela de reação”, destaca Marcelo Souza.
Entre as estratégias usadas pelos criminosos estão a criação de lojas falsas que simulam parcerias oficiais da Copa e perfis infiltrados em comunidades de torcedores e colecionadores.
Redes sociais lideram tentativas de fraude
De acordo com o levantamento, as redes sociais continuam sendo a principal porta de entrada dos golpes envolvendo a Copa.
Os canais mais utilizados pelos criminosos são:
Instagram: 51% dos casos;
WhatsApp: 48%;
Facebook: 35%;
TikTok: 26%.
As principais fraudes envolvem apostas ilegais, venda de ingressos falsos, produtos não oficiais e promoções enganosas.
Até figurinhas entraram na mira
Os golpes também chegaram ao mercado de colecionáveis. Dados do Procon-SP mostram aumento nas reclamações envolvendo figurinhas, álbuns e produtos relacionados à Copa.
Entre março e maio foram registrados:
115 casos de atraso ou não entrega;
34 denúncias de oferta não cumprida ou propaganda enganosa;
24 reclamações sobre produtos diferentes do anunciado.
Somente os casos envolvendo figurinhas e álbuns passaram de nenhum registro em março para 109 reclamações em maio.
Como evitar cair em golpes da Copa
O Procon orienta os consumidores a adotarem alguns cuidados:
Pesquise a reputação da loja antes da compra;
Desconfie de preços muito abaixo do mercado;
Confira CNPJ, endereço e canais oficiais de atendimento;
Guarde comprovantes, conversas e anúncios;
Verifique prazos de entrega e regras de troca;
Confirme se produtos colecionáveis são oficiais.
Especialistas também recomendam atenção com páginas recém-criadas, promoções com contagem regressiva pressionando a compra e lojas que aceitam apenas Pix como forma de pagamento.
Para Marcelo Souza, a tendência é que a segurança digital dependa cada vez mais da confirmação de identidade e do monitoramento de comportamentos suspeitos.
“A confiança real se constrói na camada de identidade, no reconhecimento do usuário e na capacidade de reagir de forma proporcional quando algo foge do padrão”, conclui. (As informações são da Agência Brasil)
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